Verô - alguém aprendendo a escrever
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Muitas e muitas vezes ela havia olhado para o teto e se perguntado o que faria com tantas lembranças que trazia dentro de si. Em outras tantas ocasiões acordava e sem vontade de enfrentar o dia lá fora, ficava deitada rememorando as histórias que se acumulavam dentro de seu peito. Resignada suspirava e se conformava acreditando que a vida era assim mesmo.
Porém, com o passar dos dias, várias de suas recordações se transformaram em fardos. E por qual razão ela os carregava, mesmo? Já não sabia mais. Silenciosamente, sem fazer alarde dos fatos, se concentrou em peneirar suas memórias. Escolha sábia, mas um tanto quanto dolorida. Entender o passado para se caminhar em direção ao futuro pode ser uma viagem um tanto quanto solitária e cruel. Abriu gavetas, limpou armários, jogou papéis fora. Minimizou gente que a havia minimizado. Se despediu de outras que sequer havia percebido que passaram por seu caminho. Dispôs-se a manter em sua vida, quem trazia o que era bom.
Aos poucos a alma foi ficando leve. Leve. Muito leve. E ela percebeu que as histórias que carregava dentro de si eram boas. Já não podiam mais lhe fazer chorar de tristeza ou lhe amedrontar quanto ao futuro. Estava serena. Estava feliz. Podia até ser que alguns desavisados no caminho, desprezassem sua bagagem, mas ela sabia o quanto era sua, o quanto lhe era cara e preciosa. E o quanto ela batalhara por tudo aquilo. Por toda a sua paz de espírito. Por toda a compreensão de quem era.
Outro dia. Em um novo tempo, acordou e olhou para o teto... Percebeu que seus antigos fantasmas já não lhe acompanhavam mais. Entendeu onde estava e o que era preciso fazer. Lá fora, pela janela, se abria um novo ano cheio de oportunidades. E enquanto levantava, uma canção antiga soou dentro de seu coração... "Bye bye tristeza... já sei andar sozinha sem pedir conselhos, se eu sofrer que é que vai chorar por mim? Já sei olhar para mim, sem precisar de espelhos. Não me diga que não e nem me diga que sim."
Ela sorriu, abriu as asas e partiu rumo á felicidade.
postado por Verô às 10:22 AM
Acho mágico esse troço chamado final de ano. Podem dizer que é data do comércio, ou que é natal/final de ano é piegas, ou ainda que se esquece o verdadeiro sentido das coisas. Pode ser. Mas, mesmo assim continuo achando mágico. Incrível. Místico!
Veja bem, por mais que não tenhamos feito o que nos propusemos no final do ano passado, a fazer nesse ano ou nunca...rs... temos a oportunidade de fazer. De novo. Mais uma vez. Acho bárbaras as listas que as pessoas fazem. Os propósitos: regime, novo amor, esquecer o ex, não chorar, deixar de fumar, arrumar um emprego e por ai vai. Vejo a mágica bem ai. Para mim é tudo esperança. Esperança de um dia dar certo. Vencer. Acertar. Conseguir alcançar a tão sonhada felicidade.
Admito que neste final de ano, eu mesma estou fazendo uma lista. É. Fui seduzida pela idéia. Logo eu que não acreditava muito nesse negócio. Mas, pensei que é interessante. Talvez, para ao final do ano contabilizar o que se alcançou ou não. Ou ainda se guiar pelos próximos 365 dias do ano. Não sei.
Na verdade, estou fazendo uma lista de 101 coisas para realizar em 1001 dias. Escrever a bendita lista, está sendo uma aventura interessante. Posso compartilhar depois. Algumas das 101 coisas que estou me propondo a fazer precisam ser feitas em todos os mil e um dias... então...
Mas, falo da mágica especialmente por renovar, refrescar. Tenho uma colega que acredito eu, ainda não virou a página de um divórcio. Posso estar enganada, mas ainda carrega muita tristeza. De repente a vejo animadíssima. Se propondo a malhar, emagrecer e a viver um grande amor. Já jurou para mim que ano novo, vida nova.
E eu também. Desde então já estou vivendo o meu ano novo. Caminhando. Saindo de onde estou, para chegar lá. No alvo.
postado por Verô às 4:27 PM