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Terça-feira, Agosto 29, 2006

Sigo falando um pouco de mim. E antes de mais nada, esclareço que não sou parâmetro para ninguém. Nem tão pouco julgo quem quer que seja por mim mesma, ok?

Vai ser longo...

Ontem fiz algo que me deu muito prazer. Muita alegria mesmo. E até certo alívio. É engraçado como a vida é, e como as coisas se apresentam. Como tomam proporções maiores do que as que julgávamos. Deixe-me ser mais clara: ontem encerrei minha conta no Orkut. Um simples site de relacionamentos. Mas, devo confessar que me senti feliz por deletar a minha conta.
Antes de fazê-lo, mandei um e-mail me despedindo dos amigos. A reação foi engraçada. Teve gente que perguntou se eu estava revoltada, ou havia ficado louca. Outros perguntaram se era pela falta de privacidade, uns disseram que sentiriam falta. E alguns juraram que eu volto. Confesso que achei tudo muito engraçado. Alguns amigos ainda me perguntaram se eu queria ser adulada para ficar. Não era nada disso. Era despedida mesmo.
Já há algum tempo eu vinha pensando em sair. Mas, enrolei e fui ficando. Sabe quando a gente sabe que um relacionamento não dá mais certo, tipo um namoro, mas, a gente fica ali, insistindo à espera de um milagre? Pois é... Era assim que eu vinha me sentindo. De forma alguma estou falando mal do site, ou de quem o freqüenta, não. Cada um sabe de si. Ou deveria saber. Mas, estou falando de mim. No começo foi delicioso. Encontrei gente que eu não tinha notícias há quase 20 anos. Ri bastante nas e das comunidades. Mas, depois comecei a achar que eu era depositária de muitos recadinhos control c + control v. E comecei a me questionar do valor das coisas. Também sempre tinha alguém para pedir para ser adicionado e nem um e-mail sequer mandava, nem um recadinho para perguntar qualquer coisa sobre a minha pessoa.
Comecei dizendo que não sou parâmetro e não julgo por mim. Mas, comecei a me perguntar para quê eu estava ali, mesmo? Por que todo o mundo estava? Por que é um bom lugar para se fazer um marketing pessoal? A verdade é que há muito tempo em minha vida, procuro coisas que tenham significado. Procuro trocas, procuro pessoas. E de repente aquele universo foi ficando plástico demais. Até gosto da vida virtual. Em um tempo muito dolorido e solitário da minha vida, ela foi tudo o que eu tinha. Mas, hoje, não dá mais para ser assim. Gosto de manter o blogg porque através dele conheci muita gente legal. Acredito que há uma troca. Leio coisas incríveis nas casinhas que visito por ai. Mas acho que o Orkut para mim, deu o que tinha que dar.
Uma amiga definiu bem a minha saída, ela disse que eu estava na verdade me despedindo da antiga Verô. Acredito que sim. Foi uma fase, um estilo de vida, e eu precisava me despedir dele. Quero mais. Quero amigos reais. Que se importem, que façam diferença, que estejam além do superficial, assim como quero ser, assim como quero estar.

Termino o post de hoje, fazendo um control c + control v de uma reflexão que fiz no início do ano passado. Mas, que mais do que nunca está viva dentro de mim.

Já reparou como a gente passa pela vida se contentando com migalhas? É... Migalhas. Não quero que ninguém pense que surtei, mas, a verdade simples e crua é que a gente se contenta com migalhas.
Migalhas de afeto, de aceitação, de realização dos sonhos, de alegria, de amor, de dinheiro, da luz do sol, de todo o nosso potencial... e o que mais se possa imaginar... E, isso é muito triste. Mas, é real... Quer ver?
Quantas vezes achamos que pra sermos aceitos precisamos usar determinado tipo de roupa, ou termos tal carro, ou ainda sermos adeptos de tal e tal ideologia... E ai usamos a roupa, compramos o carro, dizemos que acreditamos nisso ou aquilo pra que os outros possam nos aceitar... Fazemos dívidas, vivemos no vermelho, mas, queremos ser o que os outros esperam de nós... Nos contentamos com migalhas de aceitação. Digo migalhas, porque se fossemos aceitos como somos seriamos aceitos plenamente e não aos pedaços, não em farelos, não em migalhas.
Mais exemplos? Saímos de casa cedo, nos aventuramos pelo trânsito caótico, aturamos o mau humor do chefe, e não temos nem meio minutinho pra contemplarmos a cor do céu, a luz do sol... E nem vou falar do salário...
Abrimos mão dos nossos sonhos, ás vezes sonhos bobos, simples... mas, alguém ridiculariza o que queremos ou ainda dita o que deve ser feito, e deixamos de lado.. Permitimos que os outros digam como devemos viver, agir e pensar. Muitas vezes vivemos a sombra de alguém, quando poderíamos ser a imagem, o modelo, e não o rascunho. Migalhas. Quando falo de sonhos, não falo de nada mirabolante, digo daqueles comuns que todo o mundo tem... De encontrar paz, de ser aceito, de poder se dizer o que pensa.
Ansiamos que certo alguém nos olhe, e investimos pesado no jogo da sedução, mas, no meio do processo, sabe se lá a razão, desistimos; não acreditamos no nosso potencial e nos contentamos com quem não gostávamos a princípio, mas, que sempre esteve fácil, ali a nossa mão. Migalhas. Ou ainda insistimos em alguém que não sabe nem qual é a cor do branco do nosso olho, que promete, mas, nunca tem tempo pra cumprir, que não respeita nossa fala, nossa dor, que nos empurra as tristezas, mas, nunca pode partilhar as alegrias. Vivemos relacionamentos no mínimo perdidos, mas, nos contentamos com eles, porque nos contentamos com o que sobra, com as migalhas.
Nos cercamos de pessoas que se dizem nossos amigos, compartilhamos nossas idéias com eles, os convidamos pra nossas festas, mas, na verdade esses tais amigos, não sabem de nada da nossa vida, não se preocupam conosco, nem têm tempo para uma conversa além do superficial. Desculpamos a nós mesmos, dizendo que somos assim, que não abrimos nossa intimidade. Balela... Aceitamos migalhas... Apenas isso.
E seguimos vida a fora nos contentando com o que nos oferecem, achando que é normal, que é o que merecemos. E pior, retribuímos com migalhas. Poderíamos ser mais sinceros, amar com o coração entregue, falar o que pensamos, elogiarmos quando a ocasião é propícia, enxugarmos as lágrimas de alguém, viver nossas ideologias com toda a extensão de nossa convicção, mas, não...
E andamos rotos, esfarrapados, aos pedaços, em lastimáveis pedaços que não se encaixam... Recebendo e ofertando migalhas.
Ando querendo vida plena, sabe... Ando cansada de comer pelas beiras, de me sobrarem migalhas, de me ofertarem nada e eu ficar ali de mãos abertas esperando por mais, querendo mais, precisando, necessitando de mais... Decidi que só quero perto de mim, gente que me ame de verdade... E que se não houver ninguém que me ame de verdade, eu não tô nem aí, como reza aquela canção... Quero me bastar e não mais me contentar com migalhas. Quero viver tudo o que posso, quero ser o que meu sonho pede, quero caminhar de cabeça erguida, quero andar na rua de calça roxa, camiseta amarela e tênis prateado - se essa for a minha vontade - sem me importar com o que vão pensar, dizer ou falar... Quero ter vida plena, vida imensa, vida abundante.
Abaixo as migalhas!!!!!



postado por Verô às 2:32 PM

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Quarta-feira, Agosto 23, 2006

Silêncio. O poder do silêncio. Não o silêncio cruel das horas solitárias. O silêncio que carrega o poder em si. Sabe como é? Não? Ele também não sabia. Até que o descobriu. Para chegar nesse estágio de sua vida, não foi muito fácil. Foi necessária muita mudança. E nem sempre as mudanças são rápidas, fáceis e simples. Geralmente, elas são doloridas. Muito doloridas.
Ele sempre fora acostumado com as palavras. Ele as amava. Com intensidade tal, que as repetia sempre, freqüentemente, constantemente. Ele não apenas falava, ele gesticulava , gritava, berrava, declamava, bradava. Muitas palavras. Sempre havia sido assim. Como se ele sentisse que se não fizesse assim, ninguém o ouviria. Ninguém repararia nele. Ninguém se dignaria a se importar com ele. Mas, ele andava insatisfeito. Muitas e muitas vezes as palavras se viravam contra ele. Muita gente, de má fé, torcia o que ele havia dito e aí o banzé estava armado. Imenso. Gigantesco. Dolorido.
E ele começou a ficar calado. Caladíssimo. Entrava mudo e saía calado.
A princípio havia dor nesse gesto. E as palavras dançavam dentro de seu cérebro, querendo ganhar o mundo. Mas, ele as retinha. Depois, ficar quieto tornou-se um exercício de observação. Ele percebeu que quando emitia a opinião apenas no final, davam-lhe mais crédito. Percebeu que se falasse apenas uma vez, mas no tom de voz adequado o efeito era muito positivo. Gostou bastante dessa conclusão. E ele foi pensando e melhorando sua tese pessoal sobre o silêncio. Ele sabia que o que falava era verdade. Sua verdade. Mas, será que todos estavam prontos para ouvir a verdade? Ou será ainda, que quisessem ouvi-la? E mais, se permitiriam a tanto? E ele descobriu que falar sua verdade, apenas para si mesmo, era bárbaro. Dava-lhe um senso imenso de poder. Auto-poder. Segurança em si mesmo. Mas, o ápice da sua descoberta foi quando descobriu que o silêncio tinha poder. Carregava poder. No auge de uma discussão tola, recheada de emoções imbecis, manter-se em silêncio era deter poder. Frustrava o oponente. E mais, não havia como perpetuar o embate.
O poder do silêncio. Que delícia! Foi aí que ele descobriu a grandeza do provérbio do sábio Salomão: ¿Até o tolo passa por sábio, quando se mantém calado.¿ Ele descobriu que muitas vezes, valiam as palavras dentro dele, apenas dentro dele. Elas lhe respondiam, acalentavam, lhe conheciam e compreendiam. Externa-las certas vezes, era apenas lançar pérolas aos porcos. Sendo bem clichê, porém bem verdadeiro. E como era boa a sensação de poder... Poder ficar, ser, estar, permanecer e recolher-se em silêncio.




postado por Verô às 5:47 PM

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Terça-feira, Agosto 15, 2006

Ontem á noite, minha sobrinha me pediu que contasse uma história para ela. Ela adora histórias. Contei algo parecido com o que escrevi aqui. Na verdade, o que escrevi foi a reflexão sobre o assunto.
Obs: Qualquer semelhança, terá sido mera coincidência.

Contos de Fadas Modernos.

Ele era um garotinho muito feio. Magrelo, tímido, com orelhas de abano, bracinhos finos e olhar pidão. Vivia uma vidinha medíocre, pequena, ínfima. Seus sonhos eram no máximo chegar até a esquina mais próxima.
Um dia, uma fada muito bondosa, o transformou em sapo. Ela acreditou que com a vidinha besta que ele tinha; viver como sapo era bem mais interessante. Porém, como ela era bondosa, pré-determinou que se um dia uma princesa o beijasse, ele deixaria de ser sapo, e se transformaria em príncipe.
Ele passou a viver como sapo. Na lagoa. Coaxando todo o dia. E sabe que ele até se divertia com aquilo? Para quem tinha tido uma existência insignificante até então, coaxar na lagoa poderia ser muito legal. E era ¿burble¿, ¿burble¿, ¿burble¿ o dia inteiro.
Porém, ele via as pessoas em volta da lagoa. Elas sorriam, faziam pic-nic, pareciam se divertir, e ele queria ser como elas. Queria ter o que elas tinham. Não queria ser um sapo.
Ele sabia que se alguém o beijasse, se alguém o amasse de verdade, ele poderia trocar aquele corpo gosmento, aquela vida insossa, por algo que realmente fizesse a diferença.
Várias e várias vezes muitas moças se aproximaram da lagoa e se aproximaram dele. Ele pulava e ¿burble¿, ¿burble¿, ¿burble¿, coaxava alto. Mas, elas não lhe davam muita atenção. Algumas, mais caridosas, conversavam com o pequeno sapinho, atiravam migalhas de pão, mas, não davam a ele, o que ele necessitava.
Até que um dia, apareceu perto do lago, uma princesa. Ela era linda, inteligente, sofisticada, sorridente, muito segura de si e acreditava firmemente numa existência com significado. Mas, apesar de tantos predicados, ela era romântica e queria o amor. Ela já havia ouvido falar que se beijasse um sapo, ele se transformaria em um príncipe e ela queria arriscar.
O menino-sapo a viu de longe. Seu coração acreditou que havia encontrado alguém que o beijaria. ¿Burble¿, ¿burble¿, ¿burble¿ e muitos pulos depois, ele chegou perto dela. A princesa o olhou e imaginou quem ele poderia ser, no que o amor o poderia transformar. Respirou fundo, não pensou muito e beijou. Foi um beijo terno, cálido.
Plastz! Fogos, luzes, estrelas... E o menino-sapo se transformou em gente. Ela olhou bem para ele e viu a coisinha feia que ele era. Mas, ainda assim acreditou que ele seria seu príncipe.
Mas, ai é que está, como alguém que sempre viveu como sapo pode ser príncipe?
Porque nos enganaram com tantas historinhas tolas assim?
Conta outra. Quem nasceu para ser sapo, nunca chegará a príncipe.

postado por Verô às 5:36 PM

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Sexta-feira, Agosto 11, 2006

Ás vezes parece que tudo o que se tem a fazer é desistir.
Simples. Parar. Estacionar. Ficar. Não mais se permitir. Não avançar. Talvez até retroceder.
Desistir para não mais chorar, nem sofrer, nem ver.
Desistir para não se cansar.
Rimas pobres... Não menos, rimas... Porque se desistiu de rimar.
No meio da tarde, ou mesmo de manhã e até se for madrugada, o pensamento de ordem é desistir. Para que mesmo continuar remando, tentando chegar a algum lugar?
Por que bater as asas e se debater? Pra continuar a se chocar com os vidros da janela?
Qual a razão de se empurrar o carro ladeira a cima?
E mesmo que o céu esteja azul porque continuar sorrindo se não sou mais a dona do seu sorriso?

Mas... Embora, haja um buraco em meu peito, há ainda uma coisa chamada esperança. Talvez, ela tenha se escondido, mas, se eu olhar bem, a esperança ainda está lá... dentro de mim.
Esperança de um dia acertar, do cansaço ir embora, de sem aviso ser declarado feriado, de a praia estar limpinha e prontinha só pra mim... E de um novo plano de vôo. Por que não mesmo? Talvez haja muitas razões para se desistir. Mas, acreditar sempre é melhor. Haverá um amanhã. Haverá luz.
Caminhar em frente significa estar vivo. E definitivamente, por mais dolorido que seja não quero deixar de viver. Quero celebrar a vida... De braços abertos. Chuva, seca, frio, calor, alegria, dor, partida, acerto, erro. Não importa. Não menos vida.



postado por Verô às 4:16 PM

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Quinta-feira, Agosto 03, 2006

Tem tempo que estou querendo escrever. Os pensamentos até se apresentam em palavras, prontas para tomarem forma, mas, eu continuo deixando que eles fiquem subjugados, dentro de mim mesma. Confesso que não sei a razão. Talvez, porque eu esteja tentando ver o mundo com novos olhos. Talvez porque esteja buscando novos cheiros. Ou ainda porque estou tentando redimensionar meu casulo.
Pode ser também porque fico pensando que o que vou dizer agora, eu já disse há poucos minutos atrás e seja simplesmente chover no molhado. Não sei. Não sei.
Admito que continuo cansada de gente falsa, hipócrita, mal resolvida, incompetente, mesquinha, que estimula a competitividade por puro medo, não por real valor. Mas, quem não andaria cansado com isso? Apenas quem sofre do mal da ema. Sabe aquele ato de colocar a cabeça entre as pernas para não enxergar? Pois é... Mas, talvez seja essa a grande sacada para se bem viver. Não sei. Não sei.
Por outro lado, reconheço que ando mais corajosa; que tenho corrido mais riscos e que tenho acreditado mais em mim. Acho que é o tal lance da maturidade, a gente vai se descobrindo, se afirmando, não se importando com o que fulano, ciclano ou beltrano, pensam e falam. Questão de opinião. Sabe como é? Eu sei. Eu sei.
Como num episódio simples, bobo mesmo. Que me aconselharam a não pintar as unhas porque o serviço feito descascaria o esmalte. O grande problema era que eu queria pintar. Queria e queria e pronto. Como criança mimada. Compreensivelmente, eu queria. E pintei. E ainda paguei para desenharem girassóis em minhas unhas. Fazendo de minhas mãos, uma mini-tela. Lindo! E sabe o que aconteceu? A pintura durou mais que o normal. Perfeita. Sem um arranhão. Tenho algumas hipóteses para o que aconteceu: a primeira delas é que fiquei mais cuidadosa, mas, acho que não foi isso, não. Talvez minha teimosia tenha feito o esmalte durar. Ou ainda o acaso compactuou comigo. E a última, da qual eu gosto mais; é que o ato de correr o risco - de pagar para ver, de ter o prazer do capricho satisfeito, de não comprar a previsão do outro ¿ me trouxeram um resultado positivo.
Pode parecer que o que eu conto é bobo, mas, para mim tem muito significado. E talvez, por essa razão, esse receio do parecer bobo é que eu não havia contado até agora.
Mas, sabe acho que é necessário mesmo se perder o medo. Se ir além. Sair da superfície, se aprofundar. Fazer o que passa pela cabeça. Insistir. Persistir. Ser. E ai... voar.

postado por Verô às 9:05 AM

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