Verô - alguém aprendendo a escrever
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Estou no meio de muita contração mental. Estou tentando desesperadamente fechar duas revistas e um jornal. Eu riria se pudesse. Juro. Mas, está difícil. Estou com um post inacabado. Escrevo sobre a copa. Prometo voltar após as oitavas.... bjs.
postado por Verô às 4:29 PM
Fiquei pensando muito em como atualizar essa casinha, aqui. E hoje resolvi falar de mim. Sem parábolas, sem máscaras, dando minha cara para bater, mesmo. Não me importo... E acho que preciso. É muito íntimo o que escrevo aqui hoje, muito real, muito vivo; muito meu.
Desabafos...
Gosto muito dos livros de Augusto Cury, num deles, ele diz que a dor não pode ser insuportável porque se for, ela atrapalha todo o processo criativo. Passei do estágio da dor que destrói, voltei ao processo de criação. E nesse fluir das idéias fiquei pensando como a vida se parece com uma novela. O problema é que muitas vezes achamos que o final tem que ser feliz como de uma, pra a gente se considerar gente mesmo.
Vou contar um pouco da minha novela, quem sabe faz sentido....
Ano passado enquanto eu assistia aos beijos da Sol e o do Eddie em América, eu ficava imaginando que era o Sol ou a Lua, ou mesmo uma estrelinha qualquer pra outro Ed. É. Conheci um cara, Ed. E enquanto as cenas de amor, e de desacerto da Sol e do Eddie se desenrolavam em América, as minhas, de minha novela particular, também. Já conheceu alguém que tem o som da voz que embala? Que o gosto do beijo lhe deixa elétrica? Que é inteligente, tem senso de humor e bom ouvinte? É. Eu conheci. E mexeu muito comigo. Muito mesmo. Tivemos um relacionamento tumultuado. Cheio de altos e baixos. Altos maravilhosos, baixos péssimos. Fomos levando. Quando América terminou e o casal protagonista se deu bem, eu invejei a sorte deles. Mais ou menos nessa época, minha história acabou. Doeu. Mas, me enchi de energia pra superar, esquecer e tocar o barco. Assim é a vida, nem sempre as coisas são como a gente gostaria que fosse. Certo?
Tudo parecia ir muito bem. Até que fui chamada para o ¿emprego dos meus sonhos¿ que... Era aonde? Na empresa que o Ed trabalha. Pois é... já falei disso em outro post. No começo foi um verdadeiro suplício levantar todas as manhãs e pensar: vou vê-lo e não há nada mais em nós. Quando eu chegava ao trabalho, sempre sentia o perfume dele, mesmo que ele ainda não houvesse chegado. Foi um tormento. Mas, acredito muito em as coisas serem como se pensa que elas são. E me determinei a não mais pensar que seriam difíceis. Seria fácil esquece-lo. Amparando essa idéia acredito muito em Deus, tenho muita fé de que Ele me dá forças para tudo e fui pedindo, pedindo, pedindo e deixando de me importar.
Meu sentimento pelo Ed, adormeceu. Não digo que morreu, porque não morreu. Mas, dormiu. E era muito bom tê-lo ¿sob controle¿. Eu estava feliz. Troquei de perfume, mudei a cor dos cabelos, me dispus a sair mais e estar aberta a novas aventuras. Mas... talvez fosse isso que precisasse acontecer pra ele me notar, não sei. E ai, mais uma vez o Ed se aproximou. Foi conversando devagarzinho. Insistia em me lembrar de passeios que tínhamos feito juntos. Em dizer que tudo comigo era bom. Que ouve sempre o meu cd. Que se preocupa comigo. E fomos criando uma pseudo-intimidade. Uma pseudo-proximidade. Resisti bom tempo. Eu não acreditava na redenção. Não acreditava que quem havia me machucado anteriormente, pudesse estar disposto a ajudar no processo de cicatrização. Mas... a história foi se alongando. Eram abraços no meio do corredor, um afago no rosto, perto da mesa de café; um bom dia cheio de sorrisos, a revelação de que sou uma tentação pra ele. E a idiotinha aqui. Pluft! Caiu na história que nem um pato!
Quando eu achei que finalmente iria viver meu final feliz. POW! Primeiro ele recuou. Depois veio com uma história de uma amiga que está enrolado e tal e tal. Fiquei com um ódio tremendo. Se eu tivesse um irmão mais velho, juro que pediria pra bater nele. (E olha que não sou chegada a violência) Mas, eu queria uma surra daquelas bem dadas. Daquelas que criassem bicho. Sabe como é? Eu não sei. Mas, imaginei.
Uma coisa eu sempre procurei fazer em minha vida foi respeitar o sentimento dos outros. Não ferir ninguém, sem necessidade. Por vezes tive pessoas apaixonadas por mim e eu não tinha o mesmo sentimento delas, então eu me afastava, dava um tempo pra o outro respirar e quando voltava, se voltava, já deixava minha posição muito clara.
Acredito que é muito sagrado o sentimento do amor. Não precisa nem ser amor com todas as letras, mas, o querer bem, o gostar, o estar apaixonado. Acho que quando alguém se apaixona por outra pessoa é porque quer deixar-se ser descoberto, quer partilhar e se eu não posso retribuir, o mínimo de decência que posso ter é deixar o outro quietinho com sua dor, com seu sentimento. Respeito.
Gente, eu não estou louca. Um homem que chega com um blá desses. Quer o quê? Tá que ele quisesse apenas uns bons amassos. Ok. Fosse decente, propusesse, quem sabe eu topasse?
Mas... a história não para por ai. Eu estava furiosa. Nessa fúria não cumprimentei, virei a cara, ri dele na frente dos outros, eu queria ferir. E ferir muito. Quis também ser alguém bem malvada, pra bolar uma vingança que o deixasse nu na frente dos outros. Quem sabe até literalmente. Minha fúria parou quando olhei nos olhos dele. E vi um reflexo de mim por lá. Ele também estava ferido.
Gente que coisa louca! Que novela maluca!
Acabamos conversando. Ele me disse coisas que eu já sabia. Mas, que na verdade ele nunca havia verbalizado. Digamos que as respostas que eu buscava, vieram. Não todas, mas, o bastante. Porém, se apoderou de mim um senso de já não posso mais. Pra quê vou me esforçar de novo? Por que erguer a cabeça mais uma vez, pra depois alguém com uma auto-estima ínfima mexer comigo apenas para se sentir bem? E me entreguei.
Passei a semana passada, pedindo aos céus pra sumir, desaparecer, ou ir pra qualquer lugar muito longe daqui. Resultado: fiquei doente. Como as heroínas das novelas antigas. Tive febre. Gastrointerite e por ai vai...
Sábado á noite, pálida, fraca e em casa, assisti a novela. Agora, Belíssima. E ouvi um Cemil dizer ao Nikkos o seguinte, a respeito de Júlia: ¿Se ela não quiser cara, problema dela! Você vale muito mais do que isso! Por favor, não se desmereça!¿ Tá vendo? E ainda tem gente que fala mal de novela. Bendita psicologia-popular-novelística-barata, mas, verdadeira.
Sei que já me ergui de outras vezes pensando assim. E sei que dessa vez, não será diferente. Sabe por quê? Porque tenho muito mais valor que tudo isso. E por incrível que pareça, embora o meu final não seja como o de novela, pensar assim me dá uma certa leveza, esperança.
Finalizo o post de hoje com a letra da canção Meu vício agora do Kid Abelha... acho que tem tudo haver com meu momento... se quiser ouvir... click no nome da canção, se abrirá um link e ai você partilha comigo. Bj grande e força, sempre!!!
Não vou falar mais de amor, de dor, de coração, de ilusão.
Meu vício agora - Kid Abelha
Não vou falar mais de amor, de dor, de coração, de ilusão.
Não vou mais falar de sol, do mar, da rua, da lua ou da solidão.
Meu vício agora é a madrugada um anjo, um tigre e um gavião que desenho acordada contra o fundo da televisão.
Meu vício agora é o passar do tempo. Meu vício agora movimento, é o vento, é voar. É voar.
Não vou mais verter lágrimas baratas sem nenhum porquê. Ao vou mais vender melôs manjadas de karaokês. E mesmo assim fica interessante, não ser o avesso do que eu era antes. De agora ficarei assim, desedificante.
postado por Verô às 1:42 PM
Lembra daquela canção? ¿Ouvi dizer que são milagres noites com sol...¿ (Noites com sol - Flávio Venturini) Sempre gostei dela. Acho que a melodia me toca, alguma coisa mexe comigo. Mas, nunca soube direito o que ela queria dizer.
Até dia desses quando alguém insistiu em me ressuscitar lembranças. Confesso que não quero viver de passado. Passado como diz a própria palavra é o que ficou para trás o que não se repete; o que não se reedita. Ainda mais quando aparentemente não tem volta. Mas, de repente esse alguém insistiu que eu relembrasse. Ás vezes relembrar pode ser um exercício um tanto quanto dolorido. Por outras pode ser um exercício de renovar a esperança, de querer escrever uma nova história com o que se sabe que foi bom. Acho que minha viagem ao mundo das lembranças passou por esses três caminhos. E de repente estou aqui só para expurgar, catarse mesmo.
Minha memória abriga uma noite com sol. E foi aí que entendi a letra da canção. Ele veio... Eu queria muito que viesse. Havia sido tão bom estar com ele da outra vez. Tão mágico. Química pura. Diferente, especial. Não vivido até então. E aí, finalmente ele veio. Aparentemente, sem amarras, sem reservas, abrindo o peito, dividindo história. E ficamos ali ternamente abraçados, ouvindo um o coração do outro. Sua voz ecoava em meus ouvidos... Ele me mostrava parte dele... Quem sabe talvez deixando entrar sol. Mas, sem saber que me iluminava também. Dividiu suas feridas. Beijei seu coração e prometi passar pomada em todas as feridas. Todas elas. Sua respiração ao encontro de meu rosto, me aquecia. E seus beijos doces de quando em quando, eram tudo de bom.
Sabe... Gosto de abraços. Gosto de me sentir acolhida, de me sentir menina, de me sentir aquecida. E o abraço dele era assim. Se olho para trás percebo que aquela foi uma noite repleta de sol.
Mas se eu deixar a minha memória vagar. Lembro também de uma tarde com sol. Embora a chuva tamborilasse na vidraça enquanto ele deslizava suas mãos por minhas costas. Perfeito. Intenso. Posso lembrar de mais um final de tarde ensolarado? Beira do mar. Aviões cruzando o céu. Sabe o abraço correto? Aquele em que você se encaixa. É.
Abraçados... E eu tentando cantar uma canção para ele. Só dele. O final desse fim de tarde, não foi lá tão perfeito. Coisas de corações cheios de medo. A história acabou por ai.
Dia desses, ele me perguntou se eu lembrava. Acho que queria apenas um revival. E eu tolinha queria sol e mais história. É assim, coisa de mulher que se alimenta de palavras, de sonhos e de emoções. Não sei bem porque topei. Sei sim. Tá ai a resposta. Tenho sonhos, emoções... (risos) E ai... hoje? Acho que tenho que cantar para ele o final da canção do Venturini... ¿Vem que estou tão só... vem me trazer o sol... vem me livrar do abandono, meu coração não tem dono, vem me aquecer neste outono, deixa o sol entrar... pode abrir as janelas, noites com sol são mais belas, essas canções são eternas, deixa o sol entrar...¿
Juro que quero o sol. E sei que ele vem. Talvez, não em quem me trouxe no passado. Mas, ele vem. Eu sei que vem.
postado por Verô às 5:40 PM