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Quinta-feira, Maio 25, 2006

Andei deixando minha casinha empoeirar. Sorry.


Venho pensando em muita coisa pra escrever. Mas, nessa volta, depois de um pequeno inverno, quero falar do de sempre. Do amor.
Não sei bem se sobre amor. Mas, sobre relacionamento, compromisso, casamento.
Ando por ai, escuto ali, ouço acolá. E parece que nós mulheres, inevitavelmente queremos o mesmo. Alguém por perto. Uma presença. Alguém pra segurarmos na mão até adormecer. Alguém com quem dividir as idéias, o pôr-do-sol, o guarda-chuva.
Não me venha dizer que você é diferente, que em pleno século 21, sua carreira, apartamento e carro, são tudo. Balela! Em pleno século 21 podemos ser mais exigentes, mas, lá no oco do fundo de nós, continuamos a querer o mesmo que nossas avós.
Parece que tá no gen. Muitas vezes ignorei o significado, mas, sempre vejo minhas sobrinhas, já há muito tempo (a mais nova tem sete anos, agora ) brincando de casamento. Sacam um vestido branco. Uma camiseta de adulto serve. Descolam um véu, arrumam flores, um cd orquestrado e se divertem no corredor. Com direito a grãos de arroz no final e tudo.
Por que será mesmo? Confesso que não sei. Estou procurando respostas.
É interessante porque tenho o privilégio de conviver com um grupo eclético de mulheres. Adolescentes, balzacas como eu, solteiras, casadas, viúvas, divorciadas, mães solteiras, lésbicas. E todas elas, um dia ou outro, ainda afirmam que esperam um príncipe ou alguém que venha lá, naquele lindo cavalo branco e complete o que parece estar incompleto. Algumas se sentem bem. Acham que estão felizes, gostam da vida que levam, tem prazer em sua própria companhia. Mas... esperam. Outras batem à cabeça, cortam os pulsos, se martirizam. Por que não, eu? Outras ainda, suportam relacionamentos naufragados apenas pra não se verem sozinhas.
Dentro de minha cabeça, a pergunta que nunca se cala: era pra ser assim mesmo? Confesso que não sei. Não tenho esta resposta. Gostaria de ter.
Confesso ainda, que comecei a escrever este texto pensando uma coisa. Mas, os caminhos das palavras me levaram pra outro lugar. E eu nem sei bem aonde foi... (risos)
Ás vezes, tenho a sensação de que tudo que queremos é um porto seguro pra chegar. Um peito pra recostar a cabeça, apenas ser, apenas estar. Hoje alguém me disse pra não ficar eternamente idealizando. Puxa vida! Tento ser tão pé no chão, mas, me desculpe por favor, eu sou mulher, e nem sempre isso é possível. Sonhar acordada parece que é a minha vida... (risos, mais uma vez)
Existem diversas teorias. Talvez você já tenha lido sobre elas. Que o macho quer apenas fecundar e procriar a espécie. Razoável, porém muito animal. Que a monogamia é algo inventado. E tantas outras por ai... Mas a verdade é que por mais que se seja uma mulher corajosa, que encare teatro, shopping e rodízio de massas, alone... Tem hora que cansa. Ou dói. Ou apenas, e tão apenas, você quer alguém tentando impressionar. Apenas.
Leio casinhas aqui, casinhas acolá e parece que a mulherada sempre volta ao tema. Ás vezes debocham, ás vezes se expõem, muitas vezes dizem não precisar. Mas, daqui, eu... tenho minhas dúvidas. Acho que posso. Sabe por quê? Porque hoje choveu o dia todo... e eu aqui no trabalho fiquei pensando em como seria bom estar em casa, dividindo o edredom com alguém. Mas, não alguém que vá embora depois que a chuva passar. Alguém que goste do meu chulé, que me faça cafuné e que cante pra eu dormir. Idealizei? Puxa... ( mais risos) o que eu posso fazer? Continuar esperando que o fulano do cavalo venha; e me peça pra eu jogar as minhas tranças.

postado por Verô às 5:45 PM

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