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Sexta-feira, Abril 28, 2006

Saudades de Sampa...



Hoje acordei com saudades de Sampa. Talvez, porque eu tenha despertado com a mesma intensidade de sono, que despertava por lá. Não sei...
Morei quatro anos em Sampa city e mais alguns no estado de São Paulo. Sei que muita gente já disse isso, mas, não custa repetir; a vida acontece lá. Tudo o que você imaginar em matéria de organização, controle de qualidade, bom atendimento ao cliente você encontra. Acho que era isso o que mais me encantava naquela cidade. Não havia um lugar que você fosse e não lhe dessem atenção. Em qualquer estabelecimento, de bairro ou no centro, você é bem atendido. São Paulo sabe agradar seus clientes.
Fui pra São Paulo no meu segundo ano de ¿independência¿. Eu morava sozinha e trabalhava como professora pra me manter. O primeiro ano havia sido muito difícil, complicado mesmo, dolorido. Quando cheguei a São Paulo me senti privilegiada. Andava pelas ruas me sentindo como uma nordestina, retirante, que havia chegado a terra das oportunidades.
Eu gostava da agitação da cidade, do não parar nunca do movimento¿ do fato de encontrar tudo que se pudesse imaginar, a qualquer hora do dia. Na esquina da minha casa, havia uma padaria sortidíssima que funcionava 24h. Quando eu chegava quase meia noite, podia comprar pão fresquinho. Antes de sair para o trabalho ainda podia tomar um big de um café da manhã. (Detalhe paulistano adora tomar café da manhã completo, na padaria) Com direito a ovos mexidos e suco de laranja. Delícia! Também, em se matéria de comer, Sampa é perfeita! Que Pizza é aquela!!! Qualquer lugar do país tem uma pizza legal, mas, em Sampa a Pizza é perfeita!!!! Saudades da Pizza.
São Paulo é um cem número de países dentro de si. Cada bairro contém uma nova informação. Cada localidade tem uma cara muito sua. A Liberdade tão oriental, o Bexiga tão italiano, a 25 de Março tão perfeita pra compras baratas, a zona Sul com seu ar refinado e pra mim o Jaçanã, o meu preferido. Fui acolhida pelo Jaçanã. É aquele da musiquinha. Morei lá nos meus quatro anos de São Paulo capital. E é interessante que todas as vezes que penso em comprar um apartamento, penso no que eu morava. No mesmo condomínio, tranqüilo, simples, perfeito pra se dormir até tarde nas manhãs de domingo. Nos meus vizinhos, tão queridos e amigos.
Confesso que desde que sai de lá não tive saudade. Arrumei as malas e não olhei pra trás, porque embora gostasse muito de tudo aquilo, sentir-me só no meio de uma grande multidão, era algo bobo. Hoje três anos e pouco depois, bateu. Talvez, eu não tenha sentido falta, porque já mudei tanto, já fui há tantos lugares, que me acostumei ao sair, cauterizar a dor e só lembrar depois. Talvez, porque quando sai de lá tinha muita certeza de querer sair. Ainda porque muitas manhãs quando acordava tudo o que eu queria ver era o sol e o céu azul. Porém o dia tinha o céu sempre cinza, triste, gelado. Não sei. Mas, hoje deu vontade. De ver, sentir os cheiros, comer as comidas, rever os amigos, andar pelas ruas sempre movimentadas. Mas, confesso ainda que foi uma saudade boa. Não uma saudade dolorida. Saudade consciente, saudade de quem viu, viveu e sobreviveu.

postado por Verô às 12:10 PM

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Terça-feira, Abril 18, 2006

Dia desses, num almoço na empresa que trabalho, enquanto comíamos e conversávamos rolou o assunto ¿se eu tivesse dezessete anos de novo, com a cabeça que tenho hoje¿. Já pensou nisso? Se o tempo voltasse e você fosse adolescente novamente, com a cabeça que tem atualmente? Confesso que penso nisso sempre. Acho que você também.
Um dos colegas disse que diria a si mesmo pra jamais olhar pra aquela gata. Que foi a primeira esposa dele. Mas, acabou concluindo que ele era tão arrogante naquela época que era bem provável que não se ouvisse. Outra amiga disse que quando o ex-marido a pedisse em casamento, diria um não bem grande na cara dele e sairia correndo. Meu chefe, mais esperto, disse que voltaria ao passado carregando consigo as tecnologias do futuro. Que registraria nomes e marcas. Que ficaria rico, fácil.
Fiquei quietinha e me lembrei de Rj. Não é Rio de Janeiro, não. (risos) É apenas o nome do meu primeiro amor; Rj. Um amor altamente platônico, mas, mesmo assim repleto de boas recordações. (Ele foi meu melhor amigo, e acredito que as melhores gargalhadas daquele período foram dadas com ele.) Porém, como amor platônico cheio de expectativas, também. A mãe de uma amiga minha, da época de adolescência mesmo, nos instruía a vivermos o que pudéssemos viver. Só assim, no futuro não teríamos muitos ses, na cabeça. Mas, não vivi. Não vivi uma história de amor com Rj... E... Invariavelmente se penso em dezessete anos, penso nele.
Enquanto meus companheiros relatavam suas aventuras eu sorria, e lembrava. Acho mesmo que se voltasse no tempo, não seria tão tímida. Teria o triplo da segurança daquela fase. Confesso ainda, que muitas vezes, nos anos que se seguiram eu quis voltar no tempo. Fazer diferente, escrever outra história. Sabe como é? Pois é...
Entre os meus companheiros de almoço, um deles ficou bem caladinho. Talvez, como eu, tenha se lembrado de algo que não quis compartilhar. Mas, pode ser que tenha pensado que jamais seriamos naquele tempo, o que somos hoje. Mesmo se voltássemos. Claro, eu não sei. Só estou conjeturando. Dá pra entender? Algo mais ou menos do tipo; hoje sou a soma de todos os meus acertos e erros. E quer saber? Essa soma fez de mim o que eu sou. Se hoje sou melhor do que fui, faz parte da maturidade, do crescimento, da dor e da alegria. E voltar não mudaria nada. Talvez, até piorasse.
São as minhas memórias que me impulsionam a viver hoje, o que eu não vivi ontem. Mesmo que não haja mais frio na barriga, que eu seja beijada porque a oportunidade apareceu e não porque sonhei com. Mesmo que eu já não morra de saudades mais do que não vivi. Mas, hoje eu estou aqui. E construí tudo porque me permiti construir.
Fiquei pensando que se eu voltasse aos dezessete anos, se houvesse uma máquina do tempo que me permitisse tal façanha, eu voltaria e observaria. Veria a Verô-passado e o Rj e abençoaria suas risadas, brincadeiras, pacotes de bolachas divididos e abraços desajeitados, mas, ternos. A única coisa que eu diria pra ela, era pra ela ser corajosa e roubar um beijo. O resto seria conseqüência.
Depois eu voltaria. E pronto estaria satisfeita. Missão cumprida.
Hoje, sei que Rj e eu pertencemos a universos diferentes e jamais teríamos uma trajetória juntos. Mas, sei também que é esse saber que me faz quem eu sou. E sinceramente? Não, eu não quero voltar. Estou muitíssimo bem, obrigada.




postado por Verô às 5:55 PM

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Terça-feira, Abril 04, 2006

Gosto muito dos textos, crônicas e poemas da Martha Medeiros. O texto é emprestado, hoje... Mas, achei que valia a pena.

A despedida do amor



Martha Medeiros

Existem duas dores de amor:
A primeira é quando a relação termina
E a gente, seguindo amando, tem que se acostumar
Com a ausência do outro, com a sensação de perda,
De rejeição e com a falta de perspectiva,
Já que ainda estamos tão embrulhados na dor
Que não conseguimos ver luz no fim do túnel.
A segunda dor é quando começamos
A vislumbrar a luz no fim do túnel.
A mais dilacerante é a dor física
Da falta de beijos e abraços,
A dor de virar desimportante para o ser amado.
Mas, quando esta dor passa,
Começamos um outro ritual de despedida:
A dor de abandonar o amor que sentíamos.
A dor de esvaziar o coração, de remover a saudade,
De ficar livre, sem sentimento especial por aquela pessoa.
Dói também.
Na verdade, ficamos apegados ao amor
Tanto quanto á pessoa que o gerou.
Muitas pessoas reclamam
Por não conseguir se desprender de alguém.
É que, sem se darem conta, não querem se desprender.
Aquele amor, mesmo não retribuído, tornou-se um souvenir,
Lembrança de uma época bonita que foi vivida...
Passou a ser um bem de valor inestimável,
É uma sensação á qual a gente se apega.
Faz parte de nós.
Queremos, logicamente,
Voltar a ser alegres e disponíveis, mas para isso
É preciso abrir mão de algo que nos foi caro por muito tempo,
Que de certa forma entranhou-se na gente,
E que só com muito esforço é possível alforriar.
É uma dor mais amena, quase imperceptível.
Talvez, por isso, costuma durar mais que a ¿dor-de-cotovelo¿
Propriamente dita. É uma dor que nos confunde.
Parece ser aquela mesma dor primeira, mas já é outra.
A pessoa que nos deixou já não nos interessa mais,
Mas interessa o amor que sentíamos por ela,
Aquele amor que nos justificava como seres humanos,
Que nos colocava dentro das estatísticas:
¿Eu amo, logo existo!¿
Despedir-se de um amor, é despedir-se de si mesmo.
É o arremate de uma história que terminou,
Externamente, sem a nossa concordância,
Mas que precisa também, sair de dentro da gente...
E só então a gente poderá amar de novo.


postado por Verô às 12:12 PM

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