Verô - alguém aprendendo a escrever
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Começou a chover fininho e ela se maravilhou com a chuva.
Parou o carro, saiu, abriu os braços, olhou para o céu, rodopiou e sorriu extasiada. Muitas vezes ela chorara junto com a chuva. Era bom. Ficava em segredo. Ninguém podia perceber se era apenas água ou se era dor. E ali enquanto a chuvinha caia, elas compactuavam mais uma vez. Em silêncio. Porém de forma diferente. As gotículas que caiam, limpavam as marcas de muitas lágrimas choradas. Promovia com discrição, um novo tempo, uma renovação. E ela se sentiu viva.
Nos últimos tempos vinha chorando... Chorava durante o banho, no escuro do quarto, na solidão da madrugada, no frio consolo da janela do ônibus, na primeira hora da manhã, enquanto dirigia, em qualquer hora e em qualquer lugar. Chorava quando lhe dava na telha. Chorava enquanto expurgava a dor que lhe consumia. Queria apertar bem a ferida, massacra-la, até vê-la completamente limpa, até fazê-la sangrar, sangue novo, sangue vivo. Mesmo que pra isso a dor fosse intensa e cruel.
Um dia parara de chorar. Olhara a cicatriz sobre a ferida. Ainda doía. A cura ainda não fora completa.
E o tempo passou...
Quando ela recebeu as gotas frias, daquela chuva fina, soube que estava limpa. Soube que se a casquinha da ferida caísse nada mais aconteceria. Soube que o céu parabenizava por seu crescimento e soube ainda, que ele terminava o trabalho.
Atravessou a rua correndo. Feliz. Entrou na loja de perfumes. Pediu todas as fragrâncias. Queria sentir todos os cheiros. Mas, não se decidiu. Porque nenhum deles continha o cheiro que ela agora carregava dentro de si. O odor de mais uma pontinha de sua asa, que havia sido desdobrada.
postado por Verô às 3:30 PM
Tenho uma primucha, Vivi, muito legal. Ela me arranjou o tema do post desta semana. Isso não é incrível? Eu vivo filosofando e ela me lembrou que a vida é feita de pequenas coisas também. Alguém a recrutou para relatar cinco de suas manias. E escolher mais cinco pessoas que levem a corrente adiante. Fui uma das escolhas dela. A princípio achei que não tivesse manias. Haha... mas, depois fiquei me perguntando: são só cinco mesmo? Bem...Então mãos á obra.
Seguem as instruções, depois; minhas manias, e os meus recrutados, ok? Bjs.
No final de semana, assisti a um filme bonitinho. Estava chovendo, com cara de tédio, e eu corri pra locadora. Meio básico, meio comum. Não queria nada muito pensante, queria apenas ficar plantada na frente da TV e deixar o cérebro inerte. Ai, peguei um filminho chamado, Muito bem acompanhada. A estória era básica. Assim: uma moça bem sucedida profissionalmente, recebia o convite de casamento da irmã mais nova. O Padrinho do casamento da irmã, seria o ex-noivo dela. Que dois anos antes, a deixara plantada no altar. Ela precisava ir ao casamento e provar que estava bem. (Embora não estivesse) Pra conseguir o seu intento, contratou um acompanhante. Obvio que eles ficam juntos no final. Mas, o ponto não é este...rsrsr... Como acompanhante, ouvinte e conhecedor da alma feminina, ele tinha uma teoria: cada mulher tem a vida sentimental que quer ter.
Isso mesmo.
Abre um espaço, vou inserir mais uma informação. Tem uma cronista do jornal O Globo, Martha Medeiros, que amo de paixão. Gosto muito do que ela escreve. E há quase um ano atrás, ela escreveu que cada um tem a vida que quer ter. Confesso que na hora que li isso, achei que pela primeira vez, ela tivesse errado em suas conclusões sobre a vida. Minto. Fiquei indignada mesmo! Mas, a frase dela ficou lá, batucando, martelando. E com o tempo, tive que concordar com ela. E neste final de semana, surpresa: um filme lugar-comum, repete a idéia.
Pode parecer cruel, eu sei. Cada um tem aquilo que quer ter. Ás vezes a gente está tão rodeado de problemas, tão sem ver solução... Parece até que a gente sabe, mas, não tem meios para agir. Será mesmo? Me senti ofendida quando pensei que cada um tem aquilo que quer ter, porque parecia cruel demais. Porque agredia a minha conformidade com as coisas. A minha auto-comiseração foi sumariamente esmigalhada. Por isso, fiquei indignada.
A verdade é que o ser humano é uma caixinha de surpresas. Com certeza nós mesmos, não nos conhecemos inteiramente.
Mas, fiquei pensando que o grande lance de se ter o que se quer ter, ou se viver o que se quer viver; se chama permissão. Eu me permito. Quer ver? Eu me permito estar num emprego que não me agrada, não me satisfaz, porque de alguma forma ele me traz um ganho. Ou porque não tive coragem suficiente pra mandar tudo às favas, ou ainda porque tenho preguiça de estudar pra um concurso. Me permito. E como conseqüência, me queixo da sorte. Eu me permito permanecer numa relação de violência, e acredito cega e piamente que o meu amor, vai fazer com que o meu marido, se toque e pare de me espancar. ( Tá ai a reportagem de capa da Veja dessa semana, que não me deixa mentir) Eu me permito construir castelos dourados, de sonhos incríveis, pelos quais euzinha nunca batalharei e eles continuarão simplesmente a ser sonhos. Eu me permito continuar apaixonada por um cretino que só me desrespeitou, não valorizou os meus sentimentos, muito menos, me viu como pessoa. E fico chorando pelos cantos. Poderia citar ainda outros tantos exemplos... mas, enfim...
Não sou melhor do que ninguém, por favor. E na verdade, nessa grande escola que é a vida, sou uma pequena aprendiz. Estou dia a dia, tentando viver melhor, me permitindo a felicidade. Porque é ai que está o grande lance. Porque ao invés de nos permitirmos coisas ruins, não nos permitimos coisas boas? Ou sentimentos bons? Perspectivas boas?
Porque não dar uma chance pra aquele cara que vive lhe chamando de linda? Mesmo que ele não seja exatamente assim, como você imaginava que ele deveria ser? Mas... Quem sabe andar de mão dadas com ele pra ver o pôr-do-sol seja uma boa pedida... Porque não se permitir abrir o jornal domingo, bater perna na segunda e ir atrás do emprego que você quer? Tá difícil? Sei na pele que está... Mas, não custa se permitir tentar. Porque não olhar de frente, pra o imbecil que você tem ao lado e admitir que ele nunca lhe tratará como você merece e tocar o barco?
Parece que nós mulheres temos em nós o gen do martírio. Nascemos para sofrer, para ser heroínas, fortes, guerreiras, acolhendo todo o mundo, mas, esquecendo principalmente, de nos acolher.
A mocinha do filme que assisti, se permitiu ficar dois anos chorando a sorte por ter sido deixada. Com certeza, por um troglodita. Por alguém incapaz de respeitá-la, por alguém que não teve a decência de dez minutos antes, se fosse o caso, sentar ao seu lado e explicar o assunto. Não. Simplesmente sumiu. E ela se permitiu chafurdar na dor, por dois longos anos.
Escrevo todas essas coisas, porque o que mais tenho encontrado nos últimos tempos em minha vida, são pessoas que não se permitem. A primeira delas, sou eu. E tenho lutado muito pra me permitir. E juro, quando a gente se permite ser feliz, é incrível! Parece que a vida brilha de um outro jeito. Decepções são horríveis, eu sei. Rejeição, puxa... eu poderia cantar com Lulu Santos; ¿Já não tenho dedos pra contar, de quantos barrancos despenquei, de quantas pedras me atiraram...¿ Mas... O grande lance é não se permitir. Que vida você quer ter? Você quer ser feliz? Então você precisa se permitir à felicidade.
Há um dito por ai, se não me engano é de Paulo Coelho, mais ou menos assim: ¿que quando a gente quer algo, o universo inteiro conspira a nosso favor.¿ Discordo. O universo pode até conspirar a favor, mas, se eu não me permitir... Nada vai acontecer.
Hoje estou abrindo as janelas do meu coração. Quero ser feliz, muito. Sei que mereço isso. E vou me permitir. Pode apostar, que sim.
postado por Verô às 8:12 AM
Sábado foi meu aniversário. Fiz 31 anos... e ai resolvi escrever:
31 coisas que descobri nos últimos 31 anos (umas óbvias, outras nem tanto...rsrs)
1. Tudo o que sou, tenho e vivencio; tem sido concedido por Deus.
2. Não preciso de um lugar específico pra conversar com Deus, Ele é o meu melhor amigo, portanto, posso conversar a qualquer hora e em qualquer lugar com Ele.
3. A vida é um emaranhado imenso de oportunidades e bênçãos.
4.Sou portadora de um par lindo de asas, e com elas quero voar e voar muito.
5. Se posso ter inteiro, porque me contentar com migalhas?
6. (Ainda sobre migalhas) E todas ás vezes que me humilho e insisto em me contentar com menos do que eu mereço, sofro três vezes mais. (já reparou nisso?)
7.Sou uma pessoa única, com sentimentos, pensamentos e voz.
8. O primeiro e maior caso de amor que devo ter é comigo mesma.
9.Posso muitas coisas, o que não posso é ser exigente em excesso comigo.
10.Aprendi a ouvir o meu coração e vou aonde ele aponta.
11.Sei dizer não.
12.Não preciso gritar para que as pessoas me ouçam. Muitas vezes o silêncio é a melhor opção e protesto.
13.Se ainda assim, não der certo, sem me descabelar, descobri que bater o pé é muito interessante.
14.Gosto muito, mas, muito mesmo da minha companhia.
15.Não é necessário estar em bando para parecer popular. Muitas vezes, vale mais apenas uma companhia que um monte de gente que nada acrescenta.
16.Comida pode significar comemoração e não apenas consolo.
17.Amigos são aqueles que estão presentes, não importa a ocasião...sempre é uma boa dica.
18.Se quero sair e tudo parece dar errado, é melhor mesmo ficar em casa. Se insisto, a saída acaba sendo um desastre.
19.O que é meu, será meu. Mesmo que demore muito tempo para chegar até mim. (É impressionante como isso é verdade)
20.Ceder a uma chantagem, é estar presa num labirinto sem fim.
21.Amor pela internet? Pura ilusão.
22.O pior tipo de gordura que pode existir é a gordura mental.
23.Mais vale um gosto do que um tostão no bolso.
24.Se não deu certo, é porque ainda não é o final. No final, tudo dá certo.
25.Se os ¿amigos¿ só sabem estar perto quando você está na pior, pule fora! Eles não são amigos nem aqui, nem na China.
26.Bronwnie com sorvete de creme é tudo de bom!
27.O amor não pode ser unilateral, se for, não é amor.
28.Para se amar, algo ou alguém é preciso permissão. Se permitir... e querer.
29.Ás vezes empunhei bandeiras querendo mudar o mundo. Tolice. Só precisava mesmo, mudar o meu mundo. Nada mais.
30.Chorar e conversar com o travesseiro pode ser uma tarefa que traz paz. (Só não pode ser uma constante)
31.A vida é um risco. Vale a pena corrê-lo.
Quero propor uma troca, aliás, gosto disso. Já sabe né? Se pudermos fazer uma troca eu agradeço. Escreva sobre coisas que vc tem concluido e aprendido. Obrigadão. Bjs.
postado por Verô às 7:18 AM
Eles entraram no ônibus, depois de mim. Eu já estava sentadinha, bem acomodada. O dia fora cansativo e tudo o que eu queria era chegar logo em casa. Admito que quando a vi, pensei em me levantar e ceder o lugar. O veículo estava bem cheio, e embora eu não pudesse classificá-la como velha, ela já era um senhora. Ao seu lado, ele, um senhor igualmente maduro. Mas, continuei sentada.
Olhei de relance, não me importei com a presença deles perto. Até que alguém puxou o sinal para descer. Eles foram obrigados a se espremer para dar passagem e foi aí, que comecei a reparar neles. Os cabelos de ambos eram pretos, ou castanhos escuros, como se dividissem a mesma bisnaga de tinta. As marcas em seus rostos eram de muitos dias vividos, de muitas lutas enfrentadas. A pele era tostada, não de ficar a beira da praia relaxando e curtindo, mas, de gente que trabalha de sol a sol. Suas roupas eram simples, os cabelos dela ainda estavam úmidos, e ele possuía tatuagens pelos braços. Na mão esquerda, em cada dedo havia uma letra A M O R e na direita L E D A. Se era o nome da senhora ao seu lado, eu não sei. Mas, embora eu os tenha descrito, não foi nada disso que me chamou atenção. O que me fez olhar para eles com um olhar analítico e demorado, foi que a cada vez que alguém solicitava passagem, ele a abraçava e puxava de forma gentil para si. E ao abraçar, ele sempre tocava o seio dela.
Não era um toque grosseiro, nem de desejo, muito menos de sedução barata. Era um toque de posse, de conhecimento, de maturidade, de segredos compartilhados, de um relacionamento construído. Algumas vezes, como que para retribuir o gesto, ela afagava o rosto dele, lhe sorria em aquiescência, mas, não dizia palavra. E se olhavam nos olhos.
Definitivamente, posso apenas estar fantasiando, mas, para mim, todos aqueles gestos diziam o que descrevi. Eu confesso que tentei ver diferente, encara-lo como um velho safado, mas, eu só vi ternura no gesto dele. Como se a naturalidade do seu gesto, que poderia parecer um despudor, fosse apenas isso, um gesto absurdamente natural.
Dizem que as pessoas que vivem juntas ou se relacionam há muito tempo possuem um brilho diferente. Uma forma de ver o mundo de outra forma. E eu vi isso.
O casal desceu alguns pontos antes do meu, e embora a noite estivesse escura, juro que vi luzes em volta deles. Luzes que me lembraram, que o amor ainda existe.
postado por Verô às 5:20 PM