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Segunda-feira, Outubro 24, 2005

Ás vezes penso que tudo o que queremos na vida é respeito. Está ai o resultado do referendo que não me deixa mentir. Devo confessar que ouvi de tudo antes dessa eleição palhaçada que veio em um momento afrontoso, desrespeitando a inteligência do povo brasileiro. Em plena crise política/econômica onde ninguém tem seu pescoço verdadeiramente cortado, onde o chefe maior age como se não fosse com ele; surge um referendo sobre um assunto que não estava em pauta e que só tinha por objetivo tirar o foco do problema e das cabeças que necessitam ser urgentemente degoladas. Com direito a propaganda política para direcionar, quiçá extorquir e justificar mais milhões de reais.
Em tempo explico que não sou a favor da violência, nem anti a paz, nem acredito que arma garante segurança. Mas, acredito em respeito. Muito. Aliás, atualmente, esta é minha bandeira, este é o meu lema.
E é por isso que penso que muito do que queremos na vida é respeito.
Tive o desprazer de expor qual seria meu número de voto enquanto faziam minhas unhas em um salão de beleza. O dono do salão, um senhor que com certeza quer ser respeitado, quase me agrediu por termos opiniões diferentes. Só pude rir do contra-senso. Fiquei pensando então sobre respeito.
Como brasileiros em tempo algum somos respeitados. Não fomos respeitados como colônia e nem somos respeitados em tempos de pseudo-democracia. Digo pseudo porque se fosse real, votar não seria obrigatório. Seria apenas uma opção que como cidadãos exerceríamos ou não. Falta de respeito. Imensa. Somos desrespeitados, quando a TV noticia que a inflação foi de tantos por cento, mas, nosso bolso e a falta de itens em nossa despensa acusam que a informação não é verdadeira. Temos um salário mínimo que é a pura expressão de desrespeito. A situação é tão gritante, que houve um tempo em que acreditávamos verdadeiramente que estudo/escolaridade era garantia de bom emprego, crescimento e estabilidade. Infelizmente há milhões de recém-formados com diplomas e muito conhecimento em mãos batendo e batendo em portas medonhamente fechadas.
As pessoas andam nas ruas sem terem muita noção, direção, se acostumando se contentando com o que tem, com o que lhes é oferecido, sem terem outra escolha. Se contentam com salários ridículos, muito abaixo do que precisariam para sobreviver, porque foi aquilo que conseguiram, apenas... se calam diante de superiores que não tem a mínima capacidade de trato humano e que acham que são chefes, quando não verdade apenas estão chefes, mas, se calam porque necessitam sobreviver, manter suas famílias, ou caminhar rumo ao que quer que seja a que se chame vida.
Enquanto isso... (na sala de justiça) gente com muito menos estudo, com muito menos capacidade tem as contas bancárias transbordantes... mensalinhos, mensalões e afins. Paira então a pergunta: de quem é a culpa? Seria a culpa apenas dos políticos? Ou nossa mesmo, que elegemos tais criaturas para nos representar? E a resposta fica sobre nossas cabeças... num grande círculo vicioso, viciado, viciante...quase em over dose.
Lutamos tanto pela paz, pelo amor, pela igualdade, mas, nos esquecemos do respeito. Respeito próprio. Respeito mútuo, respeito para se ser gente.
Não faz muito tempo propus a meus alunos que em uma redação escrevessem sobre o país dos sonhos. Como seria, o que precisaria ter, como as pessoas viveriam. Eles falaram sobre dinheiro, trabalho e justiça social. Se hoje eu tivesse a oportunidade de escrever esta redação ou ainda de repetir a proposta ; eu falaria sobre respeito. Sem respeito não se vai a lugar nenhum. Sem respeito simplesmente não se vive. Falamos em pizza, em pouca-vergonha e mal-caratismo. Mas nos esquecemos que tais coisas só sobrevivem porque deixamos que nos roubassem o que era nosso por direito, o que é inerente a nós desde o nascimento. O respeito.
Talvez não tenhamos uma postura que exija, silenciosamente, respeito; porque não sabemos como ela é... ou porque nos esquecemos de como um dia foi... Não importa. Acredito que ainda é tempo.
Quero propor pelo dia de hoje e num aprendizado de um dia por vez, respeito próprio. Não ir além de você mesmo, não se contentar com menos do que merece, não se permitir ofender pela mesquinharia alheia, levantar a cabeça e sorrir. E de preferência, se puder, deixar seu chefe ( ou quem não lhe respeite) , caixa de papelão em dia de chuva, falando sozinho. Propor também, pelo dia de hoje e num aprendizado crescente, respeito ao próximo. Sabe aquela velhinha que entra no metrô e ninguém cede o lugar, ou aquela grávida... pois é... respeito ao outro. E por fim... respeito a pátria mãe gentil... preservando a água, a natureza, não jogando lixo fora dos lixeiros, reciclando de preferência. Observando as leis de trânsito...sabe aquilo básico, que com certeza, você aprendeu na pré-escola.? É... Então quando as eleições chegarem a gente poderá distinguir que político que suja a cidade, não deve ser sujeito decente. Que político que faz campanha em cima da máxima; rouba mas faz, não deve ter nosso voto e que a oposição só é bonita enquanto oposição porque na situação costuma ser a mesma coisa. E se assim, ninguém for eleito... quem sabe possam surgir homens de bem que nos respeitem... nova safra de pessoas com a nossa cara, com a nossa postura que possam nos respeitar como nos respeitamos.
Utopia? Pode ser. Mas um grande clássico da literatura mundial tem este título e interessante como possa ser, fala também sobre respeito.
Houve um tempo em que muitos patriotas nossos, saíram de nossa pátria mãe gentil pra construir um futuro melhor, conquistar dinheiro e respeito em outros países.... confesso que as vezes me sinto tentada a buscar outros lugares, outros rumos... mas sabe, meu coração bobo verde-amarelo, ainda quer crescer aqui, ainda quer fazer isto aqui ter jeito. Ainda quer que não existam referendos fora de momento, ainda quer democracia verdadeira e real. Ainda deseja que a gente mostre a que veio e que pra isso não precise exigir respeito, só a nossa presença já dê o recado.




postado por Verô às 12:21 AM

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Quinta-feira, Outubro 13, 2005

Ás vezes tudo o que a gente precisa aprender é a viver um dia de cada vez. Apenas. Sabe por quê? Porque pura e simplesmente a vida vive um dia de cada vez. Um segundo por vez, um minuto, uma hora e sucessivamente. De repente, enquanto escrevo esta frase, começo a rir. Parece tão simples... se a ansiedade não me roubasse o sono, os minutos sagrados do não pensar em nada...
Viver um dia por vez. Os alcoólicos anônimos adotam esta postura, ensinam, reeducam dentro desta idéia. E na verdade, acho que todos os outros grupos de ajuda, de terapia coletiva, também praticam isso: viver um dia a cada dia.
Na verdade, este é um princípio bíblico, antes que teorias modernas existissem, esta idéia, estava lá há muito tempo, impressa na Bíblia. ¿Não andeis ansiosos com o dia de amanhã, com o que haveis de comer, beber ou vestir...basta a cada dia o seu mal.¿ (São Mateus 6:25)
Infelizmente, vivemos em tempos de velocidade e acabamos querendo que tudo aconteça rápido, á jato, pra ontem... Não é este o nosso lema? Rapidez. Eficiência. Corre-corre.
Devo confessar, que venho há bom tempo querendo terminar a idéia que comecei há 3 posts atrás, sobre felicidade. Fazer uma trilogia, quem sabe... mas, a minha ansiedade não permite. Ansiedade do tipo, como pagarei as contas, como ganharei dinheiro, como sobreviverei a esta ou aquela situação novamente, como será, como será que, ou e se, se, se...
Sei que escrever, sempre é um bom exercício pra acalmar os ânimos, coordenar as idéias, mandar embora fantasmas, afastar as tristezas. Pelo menos, eu enxergo assim.... e enquanto pensava por onde começar a escrever, pensei que necessito aprender a viver um dia de cada vez. Já aprendi a tirar da vida, o que é bom. Adotei como máxima ao que os outros considerariam como fracasso, a idéia de que: tudo vale a pena se a alma não é pequena... Aí só se lembra do que se aprendeu, do que foi bom e de que a fila anda...
Mas este tal negócio de deixar pra amanhã o que é do amanhã, ainda está difícil. Acabei de lembrar que enquanto criança, ouvi muitas vezes falar de Scarlett O¿Hara e do clássico E o Vento levou...Quando assisti a esse filme, eu havia acabado de entrar na adolescência e pra mim, assisti-lo foi uma grande desilusão. Alguém que estava comigo, disse que Scarlett era uma covarde, uma fraca, porque a frase mais usada por ela era; amanhã eu penso nisso... se não me falha a memória, é uma das suas falas finais na película. Não sei dizer se no outro dia ela realmente pensava no fato e agia, se ela o fazia, torna-se agora minha heroína, senão, simplesmente digo que ela tinha o péssimo defeito de procrastinar. Empurrar com a barriga os problemas...
Admito que venho buscando a felicidade. (Não só por causa do artigo, mas, por minha causa mesmo) Ainda não sei bem detectar se ela é um estado de espírito, se são apenas bons momentos vividos, se vem instalada no código DNA, se é utopia ou qualquer outra coisa do gênero. Já distingui porém, que felicidade não está ligada ao outro, ela está ligada a mim mesma, a minha busca, a minha essência. E acabo de descobrir que ela está intimamente ligada com a capacidade de se viver um dia de cada vez. Sofrer por antecipação só pode trazer amargura, tristeza, chorumelas. Acho que felicidade tem haver mesmo, com o dom de não deixar de acreditar, não deixar de crer que dias melhores virão... e que se não foi hoje, se não foi neste momento, quem sabe possa ser amanhã... mas... se o futuro parece negro, o importante é não ligar. Como alguém já disse o ontem, já foi. O hoje, é o que temos agora. E o amanhã ainda não veio. E claro, basta a cada dia o seu mal.
E quer saber? Acho que ainda escreverei muito sobre felicidade... porque percebo que ser feliz é uma busca que está dentro de cada um de nós, e para se alcançar felicidade existem muitos e muitos caminhos a se percorrer...



postado por Verô às 2:34 PM

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Sexta-feira, Outubro 07, 2005

Semana cheia...quem não teve, não é verdade? Talvez, escrever fosse a solução pra desestressar, mas, nem tempo para isso, pelo menos agora, eu terei. Deixo com vocês uma mensagem linda que recebi esta semana...ou foi semana passada? Nem a memória tá funcionando...rsrsrsr... Prometo escrever com calma... por enquanto... fica ai o recado de Fernando Pessoa pra a gente pensar.
Bj grande.

"Um dia é preciso parar de sonhar e de algum modo partir...
É melhor tomar um caminho, desembarcar dos sonhos e tomar uma atitude!
Mil vezes a perspectiva de enfrentar a pior tempestade do que as normais calmarias sem rumos, sem ir a lugar nenhum.
Barcos de verdade não navegam por acaso...
Não existe atividade humana sem riscos...
O risco maior da grande viagem está na capacidade de se preparar...É estranho! Mas, há muito mais perigo dentro do barco do que no pior mar que se possa navegar.
É muito mais fácil cometer erros imperdoáveis em águas tranqüilas e favoráveis.
O que importa, na verdade, é o material de que é feita a vontade, e não, o barco...
No mar, conta muito mais, infinitamente mais que a experiência, a iniciativa, o respeito e a capacidade de aprender.
É preciso ir além de mares demarcados...
Uma travessia não termina em qualquer lugar, mas, num ponto preciso, escolhido e alcançado.
E, enquanto não se toca esse ponto, travessia nenhuma existe.
A felicidade não depende do conforto, da tranqüilidade ou de situações favoráveis. Mas simples e unicamente, da sensação de ir em frente, na silenciosa certeza de que vale a pena viver!"



postado por Verô às 11:47 AM

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