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Sexta-feira, Julho 29, 2005

Instante...


Apertei meus olhos e chorei.
No peito mil explosões...
Dores novas, dores velhas, umas até que eu nem sabia que existiam.
E enquanto as lágrimas rolavam,
Eu percebi que a alma ia ficando lavada...
Não limpa de verdade, mas, lavada...
E pelo cristalino das lágrimas eu percebi
Que nunca, jamais, meu coração estaria limpo de verdade...
Ilusão...
Alguém havia passado por lá, e impresso suas marcas...
Como se fosse roupa branquinha,
Que depois de usada a primeira vez, nem o melhor sabão do mundo,
Deixa branca de novo.

Então, apertei meus olhos e chorei mais um pouco.
No peito, mil chachoalhões...
Que insistiam, repetiam, e zombavam de mim.
E enquanto as lágrimas rolavam,
Eu percebi que o coração ficava leve.
Não leve como pluma, não.
Leve de esvaziar...
Mas, não vazio o suficiente, ainda havia algo...
Ilusão...
Eu ainda não encontrara o que buscara,
Não havia como esvaziar.

Percebi que entre lágrimas e soluços,
Havia suspiros também.
Suspiros do não saber pra aonde ir,
Do não saber o que fazer.
Havia braços pendentes,
De abraços que não foram dados.
Risos frouxos, de sorrisos não retribuídos.
Encolhi as pernas ao meu redor
E me fechei dentro de mim.

Mas, me fechar dentro de mim,
Era tão pouco,
Tão inútil,
Tão medonho,
Que eu percebi, que as lágrimas levaram o que precisava partir...
O que era ilusão,
O que não podia ficar.
As lágrimas lavaram sujeiras que deixam marcas,
Mas não me lavaram pois as marcas faziam parte de mim.

Abri os olhos,
Ainda me restava sorrir.
E como era bom, sorrir.
E como é bom...
Sorrir.



postado por Verô às 2:02 PM

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Sexta-feira, Julho 22, 2005

Já quis escrever, sem saber como escrever?
Pois é... dia 20 foi dia do amigo e eu quis escrever algo...mas, não sabia como, nem por onde, nem porquê. Eu queria escrever um texto leve, gostoso, alegre, cheio de amor... mas, me sentia vazia, pequena, mesquinha, magoada, confusa, e cheia de um gosto amargo de traição na boca. A vida é muito estranha, e ás vezes se revela interessante, pra não dizer outras coisas. A gente não pode, não deve, não tem o direito de cobrar amor, afeição...simplesmente a gente dá e ponto. O grande lance é que amar, significa dois. Não se ama sozinho. Amizade, também significa dois. Ninguém pode cultivar, desenvolver, adubar uma amizade, sozinho. Minha mágoa vinha do fato de que encontro pessoas mesquinhas em meu caminho, pessoas que acreditam que verbo amar realmente é um verbo intransitivo... e ai, era dia do amigo. Que beleza! Cartões virtuais em minha caixa de mensagens e eu seca, sem nenhuma inspiração. Desprovida de palavras, em função de pessoas que sugam e nunca contribuem, e que infelizmente me aparecem. Que me fazem perguntar a mim mesma, incessantemente, qual é meu erro e porque raios teimo em ainda ouvir, ver, esperar algo de tais pessoas.
Sem me estender em minhas lamúrias, recebi o texto de Vinícius e achei que ele falaria por mim. Mas, o sentimento de amizade, de amor por um amigo gritava, grande, alto e imenso dentro de mim. Fui dormir inquieta.
Acordei. Novo dia. Novas promessas. A chuva foi embora. A baía de Guanabara se anunciava bela, não esplendidamente bela, mas, o suficiente pra me fazer sorrir. E foi ai, que me lembrei de Nane. Nane foi minha mega-ultra-hiper-super-melhor amiga... E eu sorri, se as palavras haviam fugido de mim, pensar em Nane faria com que elas voltassem correndo, correndo.
O texto que escrevo agora é um tributo a esta amiga. Nane. Contando um pouco, vocês me entenderão...Nane foi parar na minha sala de aulas no 2º ano do Ensino Médio. A primeira impressão que tive dela, é que era feia, briguenta, metida e patricinha. Nane falava pelos cotovelos, contava milhões de histórias, todas segundo ela, verídicas... e eu ficava imaginando como aquilo poderia ser verdade. Nane me parecia um furacão, aonde ela chegava, ela revolucionava. Era dona de um senso de humor afiado, único, inteligente. E aquilo me incomodava. Não sei quando minhas reservas foram vencidas. Sei sim. Foi no dia em que Nane me contou que havia menstruado e estava feliz com o fato. Como? Indaguei eu. Eu odiava! Ela riu e disse que também odiava, mas, por 2 meses não menstruara e temera estar grávida. No meu universo de menina comportada-certinha-quadradinha, uma colega de classe de 16 anos me contar aquilo, era inconcebível. Mas, corajosamente, murmurei um: ¿ah! Entendi...¿ e fiz cara de entendimento mesmo, como se o que ela tivesse falado fosse pra mim, banal. E no fundo de mim, eu a admirei. Pela coragem de não se preocupar com o julgamento alheio sobre os seus atos. Eu... sempre temia o julgamento alheio. E ela, diferente dos padrões (talvez, não totalmente) daquela escola de princípios evangélicos, não se escondia. Mostrava quem era. Achei que ela era muito corajosa.
Daquele dia em diante Nane se tornou minha heroína. Devo confessar que eu não concordava com 80% das escolhas que ela tomava. Mas, aprendi o sentido de respeito. Eu não concordava, não era obrigada a fazer igual, mas, era obrigada a ver, a pessoa boa, compreensiva, carinhosa, amiga, ajudadora que existia por trás das atitudes e escolhas diferentes das minhas.
Tudo o que eu aprendi de inglês no ensino médio, eu devo a Nane. Ela cantava letras e letras de Gun¿s in roses, e desfilava o significado, me deixando de boca aberta. Ela era desafinada, eu odiava rock, mas, a gente se entendia. E a partir deste entendimento, resolvi aprender inglês.
Nane era leitora ávida. Tudo o que passava por suas mãos, ela lia. Eu também gostava de ler, mas, meu universo literário era bem menor, ou se assim posso dizer, era de uma seleção diferente da dela. E ela foi me passando livros e livros... metade do gosto que tenho hoje por perfumes, reside no livro que ela me emprestou, chamado; O perfume... nós líamos e comentávamos. Eu disse a ela, que como é que o personagem podia sentir o cheiro das pessoas, se as pessoas não tem cheiro. Ela riu e disse que tinham sim, que cada um tinha um cheiro característico, era só eu prestar atenção, que iria descobrir diversos cheiros. Logo me preocupei, eu tinha cheiro, era bom ou ruim? Ela me garantiu que eu tinha e que era normal. Então, os livros faziam parte da nossa amizade e líamos, comentávamos, riamos, relíamos e imaginávamos as histórias que escreveríamos. Eu queria ser escritora, Nane também. Eu queria fazer jornalismo para escrever, ela queria fazer jornalismo para a televisão.
O que mais me impressionava nela, é que nunca havia tempo quente para ela. Nunca. Sempre tudo podia ser bom. Hoje não estava bom, amanhã estaria. As pessoas não a aceitaram? Problema das pessoas, ela estava bem. Levara fora do namorado? Problema do fulano, ele não sabia o que estava perdendo. Só vi Nane chorar três vezes, a primeira, quando uma amiga morreu, a segunda, de raiva. Havíamos brigado e eu fora injusta com ela. Muito injusta. E a terceira vez, foi quando fizemos as pazes. Choramos juntas. Em contra partida, eu era a maria-chorona em pessoa. Medrosa, excessivamente cautelosa, eternamente sentadinha em cima de um muro, vendo a vida passar.
Nane tinha suas próprias teorias de vida. ¿A vida é um risco, arrisque-se!¿ Mas, o que Nane mais me dizia, e eu balançava a cabeça, fingindo entender, era que as pessoas esperam que algo aconteça para se amarem e que não se pode ser assim. As pessoas esperam emagrecer pra se amar, as pessoas esperam um namorado pra se amar, esperam ganhar na loteria, esperam ter casa própria, esperam, esperam e esperam e na verdade nunca se amam, e que o mais importante na vida é se amar, porque se amando, se corre todos os riscos em nome do amor-próprio, não tem como se importar com os julgamentos errôneos dos desconhecidos, sabe-se aonde se quer ir, aonde se chegará. Eu fingia entender, e acreditava que ela repetia algo que ouvira de alguém e achara bonito. Como eu mesma muitas vezes fizera. Hoje eu sei que não.
Nane era exatamente o contrário de mim. Talvez, ela fosse tudo o que eu quisesse ser. Otimista, corajosa, valente, incentivadora das minhas melhores qualidades, crítica dos meus piores defeitos. Nane não era perfeita. Mas, ela foi mais do que uma amiga, ela foi uma irmã. Através dos olhos dela, pude ver a vida de outra forma, pela amizade dela, eu descobri que havia ¿vida inteligente em outros planetas, em outros lugares, em outros tipos de pessoas¿.
Meus amigos, meu colegas de colégio não compreendiam como podíamos ser amigas. Mas, eu sabia. Éramos amigas porque sabíamos respeitar e dividir nossas diferenças.
No 3º ano do Ensino Médio, Nane não voltou. E o colégio tornou-se um lugar vazio, e menos divertido. Ainda nos escrevemos cartas, nos falamos ao telefone, e prometemos nos encontrar. Nunca aconteceu. Quase dois anos depois, eu estava entrando finalmente na faculdade, ela me telefonou. Conversamos horas. Foi incrível! Eu iria começar o curso de Letras, aonde foi parar o seu sonho? Ela me questionou. Desconversei, repliquei, mas, a pergunta ficou lá, incomodando.
Mas, perdemos contato.
Muito tempo depois, já em tempos de internet, pesquisei no google, e encontrei vestígios de Nane. Eu morava em São Paulo. Ela também. Conversamos por telefone. Eu dava aulas, ela nunca trabalhara na televisão. Aonde fora parar o nosso sonho? Combinamos de nos encontrar. Mas, também, nunca aconteceu.
Sai de São Paulo.
Dias atrás a encontrei no orkut.
Ainda não conversamos direito. Mas, fiquei me perguntando porquê, depois de tanto tempo, lembrei de toda a nossa amizade, com tanta intensidade. Lembrei que foi ela a primeira pessoa que me mostrou, que eu tinha asas. E que com asas, pode se chegar a qualquer lugar. Ou não. Acho que lembrei dela também, porque foi com ela que aprendi que pessoas sugadoras, existem aos montes, mas, que o importante é não deixar se intimidar por elas, e sim, continuar vivendo a vida. Sendo você mesma.
E hoje, quando eu, já não mais adolescente, e sim trintescente (desculpem o neologismo), busco novos conceitos pra minha vida, percebo que otimismo, respeito, coragem, vontade de arriscar e um grande amor, por si, pelos outros e pelo mundo são tudo, não posso deixar de me lembrar dela.
No fundo o que eu queria escrever no dia do amigo, era um tributo a todos os amigos que deixaram coisas boas em nossa vida. Que nos ensinam novos conceitos em todo o tempo, que despertam o nosso melhor, que nos impulsionam, e que sabem exatamente quem nós somos. Perdão, se falar de Nane foi um tanto quanto direcionado. Tenho amigos incríveis, pessoas especiais mesmo. Mas, se hoje reparto flores no meu caminho, tudo começou quando uma garota maluca, falante e alegre apareceu na minha escola. A gente sempre ouve que ninguém vai embora da nossa vida, sempre algo fica e sempre se leva algo. E olhando pra mim, percebo as muitas coisas que ela deixou pra mim.
E de repente me senti grata por tantos dias do amigo, depois, ter uma lembrança tão boa pra recordar.
Confesso que as palavras continuam fugindo de mim, e eu não sei como terminar. Mas, confesso ainda que aquela sequidão, aquele gosto amargo na boca, a pequenez e mesmo a aridez dos meus sentimentos, se foi. Relembrar um presente deste foi muito bom. E sabe... recordar desta grande amiga, me faz enxergar os bons amigos deste momento presente. Obrigada por vocês existirem, obrigada por se fazerem reais em minha vida. Obrigada pelos abraços, pelos carinhos e dedicação. Muito obrigada pelas coisas que me ensinam, e pela paciência que vocês tem comigo. Obrigada por vocês amigos, que sabem que amizade não é coisa de um só, que sabem que quando a gente é amigo, a gente escreve uma história...continuemos escrevendo a nossa... muitos beijos, muito amor.

Ainda em tempo, quero agradecer ao Sobral, mais uma vez. O link do blogg dele é o Mess-bar, ele me deu um big abraço com o post de ontem, eu já havia contado sobre isso, no post do dia 18, mas, ele fez questão de registrar. Tenho certeza que ele gostará da visita de vocês e por tabela, daremos muitos abraços.

Beijos e beijos.



postado por Verô às 1:10 PM

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Quarta-feira, Julho 20, 2005

Eu deveria hoje escrever um texto bem especial pra todos os meus amigos... porém, vou deixa-los com um poema de Vinícius de Moraes que recebi hoje:
"Eu poderia suportar, embora não sem dor,

que tivessem morrido todos os meus amores,

mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!

A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem...

Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida...

mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro....

embora não declare e não os procure sempre..."

Escrevo logo...bjs pra todos...e feliz dia do amigo!


postado por Verô às 12:42 PM

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Segunda-feira, Julho 18, 2005

Antes que a vontade passe, escreverei. Passei estes últimos dias, pensando palavra por palavra disso aqui. Conversando comigo mesma sobre o assunto, vendo se o meu entendimento sobre ele era real. Antes que o desejo de colocar no papel, ou melhor, na tela, passe, aqui estou eu.
O motivo a que minha reflexão remete, talvez, já esteja um tanto quanto ultrapassado, mas, não custa tentar. Era quinta-feira, um frio danado de bom. Sai de casa cedinho pra o trabalho, e quando finalmente cheguei, percebi no hall de entrada a tv ligada. Nela cenas de destruição, fumaça, corpos estendidos, equipes de resgate. E eu me perguntei, se era dia 11. Não, não era. Mas... por estas razões que desconhecemos, terroristas haviam atacado Londres. Acho que todos nós ficamos com uma sensação vazia desde o 11 de setembro. Nunca sabemos o que virá a seguir, e o que é que ainda inventarão em matéria de guerra, em matéria de destruição a gente inocente, como forma de atingir os poderosos. Mas, não quero falar de guerra, nem de atentados. Nem responder as perguntas que geralmente nos fazemos; onde estava Deus nessa hora? Por que matar inocentes? Terroristas não tem nada mais útil pra fazer? E por ai vai...
Não.
Confesso que fiquei gelada por dentro, revendo conceitos, cenas, lugares e pessoas. Explico: nunca estive em Londres. Não conhecia nenhuma das pessoas que morreram. Mas, sei que eram pessoas. Com histórias, com sonhos, desilusões, traumas, complexos, problemas, anseios e esperanças, vidas, como todos nós. Pode parecer coisa de nefelibata, se o termo cai bem, não sei, mas, fiquei pensando se em algum momento da vida daqueles que se foram, se foram felizes, se amaram, foram amados em retribuição e souberam disso. Fiquei me perguntando se naquele dia antes de sairem de casa, foram abraçados, ou ainda ouviram algo do tipo; você é muito especial pra mim, ou, você é a melhor mãe do mundo, você é o pai mais incrível que eu poderia ter, você é a mulher/homem dos meus sonhos, e estou feliz demais por ter você comigo. Você é um amigo e tanto, não sei o que seria de mim sem a nossa amizade. Você é a minha irmã mais querida, eu me importo com o seu bem-estar. Você é um excelente funcionário! Você é o professor que mais admiro. Qualquer coisa do gênero. Será? Não sei.
Não dá mesmo pra saber.
Vivemos numa época estranhamente louca. Aonde somos estranhamente seres solitários, movidos a solidão. Nunca foi tão fácil se comunicar... temos diversos amigos, em diversos lugares distintos, ás vezes amigos que nunca vimos, que nunca ouvimos a voz, mas, que passeiam por nossa vida. Vamos ao cinema sozinhos, ao shopping, teatro, praia, e se bobear até pra tomar aquele chop no final da tarde, (no meu caso coca-light) sozinhos. Nos colocamos na frente do computador e mantemos diversos relacionamentos virtuais, que pensamos, suprem os reais. Não quero falar mal de relacionamentos virtuais, não. O ponto é... andamos tão solitários que quando estamos perto de alguém, quem quer que seja não dizemos o que ela significa. Tem gente que prefere passar horas teclando com alguém, ao invés de sair de casa e encontrar, olhar nos olhos, se expor.
E o que isso tem haver com as vítimas do atentado em Londres? Simples. Não sei se elas ouviram durante suas vidas, o quanto eram especiais. Não sei se ouviram horas antes, o quanto eram amadas, queridas, apreciadas, respeitadas. Não sei mesmo. Sei do pouco que tenho falado. E do pouco que tenho ouvido. Posso parecer fatalista, mas, ninguém sabe o que acontece no momento seguinte; uma bomba, um carro em alta velocidade, um raio, sei lá... pode ser também que o momento seguinte nem seja assim, seja de pura alegria; mas, o que custa dizer o que se sente? O que se pensa?
Andamos solitários, porque nos expusemos nós mesmos a nossa solidão. Nos trancamos em nossos escritórios, em nossos apartamentos e só permitimos que entre alguém, quando queremos. Chamamos a isso, liberdade de escolha. E quando queremos, ainda colocamos quinhentas ressalvas a qualquer coisa, sentimento ou o que quer que seja que venha acontecer. Tememos sofrer, mas, sofremos ainda assim. Quando alguém se vai, quando alguém não fica, quando abrimos a porta, e o outro não entra.
O ponto é... não custa falar. Não custa se abrir. Não custa nada olhar nos olhos e dizer um você é especial, de forma sincera. Dia desses estava eu trabalhando, quando uma nova janela de conversa do msn, se abriu. Era um amigo, ele dizia; obrigado. Eu disse: como? Ele respondeu que era mensagem errada. Depois corrigiu, deveria mesmo me agradecer, por ser sua amiga, por ouvi-lo, por dar opiniões sobre os textos dele e outras coisas que me emocionaram bastante. Me senti abraçada. Eu sei. Virtual. Mas, foi bom, ele disse. Conversamos ainda alguns minutinhos sobre isso, sobre agradecer o que os outros nos fazem, sobre distribuir abraços e afetos por onde passamos.
Repito não sei se aquelas pessoas amaram, foram amadas e souberam. Sei de mim, e não quero que nem mais um minuto se passe, sem que eu diga pra quem está perto de mim, o quanto sou feliz por ela ou ele existir. Proposta boba... talvez útopica, que soe piegas. Mas, quem sabe assim, se todo o mundo se amar, se o amor se alastrar, se eu disser, se você disser, se repassar como numa grande corrente, cenas como aquela deixem de acontecer de vez....
O caminho para a paz, reside no amor.
Amo vocês! Forte abraço! Beijos, beijos em seus corações.

postado por Verô às 2:01 PM

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Terça-feira, Julho 05, 2005

Como eu ia dizendo.... dando continuidade a idéia de validar, a semana passada foi tumultuada, repleta e dolorida... Martinha disse que faz sentido, porque estou viva. Deve ser...rsrsrsr....
A bem da verdade é que nos últimos meses, decorrente de todas aquelas mudanças que eu já contei pra vocês, a vida tem sido meio estranha. A gente vai descobrindo que crescer é dolorido, apesar de ser delicioso. E neste processo de descobrir, crescer e viver, acabamos percebendo quem é amigo de verdade, quem se preocupa realmente, quem promete e não cumpre, quem é amigo apenas, quando você está por baixo e se você aponta os céus fica na mão... e todas estas descobertas podem ser um tanto quanto difíceis, este caminhar sozinho, este debater-se contínuo pra não afundar...
E é ai, que entra o tal do poder da validação. Como já disse Kanitz e eu não preciso chover no molhado, somos carentes, somos tão centrados em nossos umbigos que precisamos constantemente do apoio e aprovação dos outros. O artista não vive sem seu público, o palhaço não suportaria uma platéia que não risse de suas fanfarronices, e nós, precisamos que os amigos, as pessoas que nos rodeiam dêem aquele tapinha camarada nas costas e nos digam que somos importantes. Infelizmente tem gente que não recebeu tapinhas e palavras de apreço por muito tempo, portanto, não sabem doar-se... não sabem apreciar o que você faz... e conviver com tais pessoas, pode ser absurdamente frustrante.
Mas, é muito interessante que o incentivo, o apoio e aquele abraço acolhedor sempre vêem de onde você menos imagina. Como já disse, minha semana ia meio atrapalhada. Talvez, por minha culpa mesmo, pela ansiedade de que as mudanças que começam a ser vivenciadas sejam rápidas... talvez, pela dose maior de um medicamento que pode me deixar depressiva, mas... todos os dias quando acordo converso com o Pai do Céu e peço que Ele me abrace, que durante tudo o que acontecer no dia que está se iniciando Ele me proteja, me guarde, mas, principalmente, me abrace, pra que jamais eu me sinta só.
Venho me debatendo um bocado, desde que resolvi ser cantora independente. Pra aqueles que ainda não sabem, sou evangélica e tive o prazer de gravar um cd. Modéstia a parte, eu gosto. E muita gente boa tem dito a mesma coisa por onde eu passo. (Me validando, validando o meu trabalho). Mas, gravar um cd sozinha, divulga-lo sozinha e sem dinheiro, diga-se de passagem, pode ser algo desesperador. Não sei quantas pessoas já passaram por isso antes, acredito que milhares, mas, eu não conheço ninguém de perto, e quem eu conheço que já passou por isso, já adentrou no próximo estágio, o de não precisar fazer mais muita força. Como estou no primeiro lanc da escada, as coisas não tem sido muito fáceis. Não via muita luz. Dificuldades em divulgar, dificuldades pra montar uma agenda... assim... e ai de onde eu menos esperava, de onde eu menos imaginava, fêz-se luz. Coisinhas pequenas, e coisas grandes começaram a acontecer.
Eu acredito muito no poder da fé, independente de crença, mas, acredito que fomos feitos pra crer e quando cremos as coisas começam a acontecer. Gostaria de contar pra vocês um pouco do que aconteceu comigo, mas, só vou contar quando puder mostrar pronto de verdade, mas, adianto que ganhei um presente pra ajudar a divulgar o meu trabalho e ele se termina com ponto br... quando tiver no ar, dou o endereço. Deu pra entender né? Pois é, isso foi parte dos pontos de validação.
Mas, o mais interessante, foram amigos que há muito não tenho contato, que ligaram, mandaram e-mails, tiraram um tempo pra dizer que sou importante e coisas do gênero. Também novos amigos que apareceram e ajudaram a amenizar os meus dias. O que me leva mesmo a crer que Deus é o maior validador que existe. Ele mandou pessoas, como anjos, dizerem pra mim, que minha luta é importante. Mais, quando coisas inesperadas acontecem, coisas as quais eu vinha suplicando a Ele, sei que Ele está me validando, sei que Ele está me dizendo que sou especial. E está ai pra qualquer um ver, no céu azul, no sol maravilhoso, no teto sob sua cabeça, na coberta quentinha, tudo são formas de validação... somos filhos amados...basta abrir os olhos, basta ver... então, hoje amanhã e depois, não esqueça de elogiar o trabalho bem feito de alguém, não esqueça de ligar pra aquele amigo seu (que você não vê há algum tempo) e diga pra ele o quanto ele é importante, não esqueça de sorrir, de estender a mão, de doar um pouquinho do que tem recebido. Diga pra alguém, qualquer pessoa mesmo, o quanto ela é importante. Hoje, enquanto vinha de casa para o trabalho, um camelô entrou no ônibus pra vender canetas. Ele disse mais ou menos o seguinte: ¿bom dia pra todos os trabalhadores cansados, que estão aqui dentro deste ônibus. E independente, de eu vender ou não, quero dizer que desejo a você um dia muito bom, repleto de luz, de amor, e que tudo dê certo no seu dia.¿ Impressionante como todos que estavam no ônibus sorriram e apesar de comentarem que era papo de vendedor, se sentiram bem...alguém tinha bons desejos pra o dia...alguém estava enviando bons fluidos....E é o que eu quero dizer pra vocês amigos que passam aqui no blog, vocês são muito especiais, e se as coisas estiverem difíceis, olhe pra o céu azul... o céu tão lindo, foi colocado lá por sua causa, essa é a maior prova do seu valor... e não se esqueçam; amo vocês! Tudo de bom! Feliz dia pra nós!!!

postado por Verô às 12:47 PM

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Sexta-feira, Julho 01, 2005

Tive a semana tumultuada, dolorida, repleta... no meio dela, descobri o valor de um troço chamado validação, já ouviu falar sobre isso? Pois é... prometo falar, com calma, posteriormente. Mas, quero agradecer mesmo a Deus por ter me validado tanto, a Debbie Klein (pelo texto), a Laine Chaves (pelas orelhas), ao Adriano (por ser um anjinho) e a vocês meus amigos, que lêem e apreciam o que escrevo. Prometo mesmo, escrever com detalhes sobre minhas inferências a respeito de validação e outras cositas más...e... promovo a campanha: validem quem amam...e até quem não amam, e por que não? Baccios nel core.

O PODER DA VALIDAÇÃO

Todo mundo é inseguro sem exceção. Os super confiantes simplesmente disfarçam melhor. Não escapam pais, professores, chefes, nem colegas de trabalho. Afinal, ninguém é de ferro.
Paulo Autran treme nas bases nos primeiros minutos de cada apresentação, mesmo que a peça já tenha sido encenada 500 vezes. Só depois da primeira risada, da primeira reação do público, é que o ator relaxa e parte tranqüilo para o resto do espetáculo.
Eu, para ser absolutamente sincero, fico inseguro a cada artigo que escrevo e corro desesperado para ver os primeiros e-mails que chegam.
Insegurança é o problema humano número um. O mundo seria menos neurótico, louco e agitado se fossem todos um pouco menos inseguros.
Trabalharíamos menos, curtiríamos mais a vida, levaríamos a vida mais na esportiva.
Mas como reduzir esta insegurança?
Alguns acreditam que estudando mais, ganhando mais, trabalhando mais, resolveriam o problema.
Ledo engano, por uma simples razão: Segurança não depende da gente, depende dos outros.
Está totalmente fora do nosso controle. Por isso a segurança nunca é conquistada definitivamente, ela é sempre temporária, efêmera.
Segurança depende de um processo que chamo de ¿Validação¿, embora para os estatísticos o significado seja outro. Validação estatística significa certificar-se de que um dado ou informação é verdadeiro, mas eu uso esse termo para seres humanos. Validar alguém seria confirmar que esta pessoa existe, que ela é real verdadeira, que ela tem valor.
Todos nós precisamos ser validados pelos outros, constantemente.
Alguém tem de dizer que você é bonito(a), por mais bonito(a) que seja. O auto-conhecimento, tão decantando por filósofos, não resolve o problema. Ninguém pode auto validar-se, por definição.
Você sempre será um ¿ninguém¿, a não ser que os outros o validem como ¿alguém¿.
Validar é o que o namorado ou namorada faz quando lhe diz: ¿Gosto de você pelo que você é¿.
Quem cunhou a frase ¿por trás de um grande homem existe uma grande mulher¿ (e vice-versa) provavelmente estava pensando nesse poder de validação que só uma companheira amorosa e presente no dia a dia poderá dar.
Um simples olhar, um sorriso, um singelo elogia são suficientes para você validar todo mundo.
Estamos tão preocupados com a própria insegurança que não temos tempo para sair validando os outros. Estamos tão preocupados em mostrar que somos o ¿Máximo¿ que esquecemos de dizer aos nossos amigos, filhos, cônjuges, que o ¿máximo¿ são eles. Puxamos o saco de quem não gostamos e esquecemos de validar aqueles que admiramos.
Por falta de validação, criamos um mundo consumista, onde se valoriza o ¿ter¿ e não o ¿ser¿.
Por falta de validação, criamos um mundo onde todos querem mostrar-se ou dominar os outros em busca de poder.
Validação permite que as pessoas sejam aceitas pelo que realmente são e não pelo que gostariam que fossem. Mas, justamente graças à validação, elas começarão a acreditar em si mesmas e crescerão para ser o que queremos.
Se quisermos tornar o mundo menos inseguro e melhor, precisaremos treinar e exercitar uma nova competência: validar alguém todo dia.
O elogio certo, um sorriso, os parabéns na hora certa, uma salva de palmas, um beijo, um dedão para cima, um ¿valeu cara, valeu¿.
Preciso de alguém que me olhe nos olhos quando falo, que ouça minhas tristeza e neuroses com paciência, e ainda que não compreenda, respeite os meus sentimentos.
Preciso de alguém que venha brigar ao meu lado sem precisar ser convocado; alguém amigo o suficiente para dizer-me as verdades que não quero ouvir, mesmo sabendo que posso odiá-lo por isso.
Neste mundo de céticos, preciso de alguém que creia nesta coisa misteriosa, desacreditada, quase impossível: a amizade. Que teime em ser leal, simples e justo, que não vá embora se algum dia eu perder o meu ouro e não ser mais a sensação da festa.
Preciso de um amigo que receba com gratidão o meu auxílio, a minha mão estendida, mesmo que isto seja muito pouco para as suas necessidades.
Preciso de um amigo que também seja companheiro nas farras e pescarias, nas guerras e alegrias, e que no meio da tempestade grite em coro comigo: ¿nós ainda vamos rir muito disto tudo¿... e ria mesmo!.
Não pude escolher aqueles que me trouxeram ao mundo, mas posso escolher meus amigos. Nessa busca empenho minha própria alma. Pois com uma amizade verdadeira a vida se torna mais simples, mais rica, mais bela...

Texto de:Stephen Kanitz

postado por Verô às 11:32 AM

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