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Domingo, Abril 24, 2005

Ando querendo abrir... que frase horrível! Gerundismo péssimo! Tentarei de novo: Quero abrir... não sei qual escolha foi pior... mais uma vez, prometo ser a última tentativa: Abrirei minhas asas e voarei. Gostei!!!! Repito e assim inicio de vez este texto:
Abrirei minhas asas e voarei. Voarei. Alto. Muito alto. Voarei.
Em algum lugar bem dentro de mim, descobri que tenho asas. Descobri também, que minhas asas são longas, imensas, lindas, flexíveis, velozes. Neste meu processo de descoberta, percebi que durante muito, mas, muito tempo mesmo me negaram a existência de tais asas, e eu as imaginava perdidas ou que outros as possuíam e não eu.
Por esta razão, passei dias pensando que ando querendo abrir asas, ou ainda que quero abrir as benditas asas e por ai vai...mas de repente diante de tal boa nova, percebi que necessito urgentemente abri-las, sacudi-las e voar. Voar muito. Voar alto. Voar por onde eu sempre quis.
E assim, voando estarei resgatando partes de mim, que se perderam um dia, na formação de um todo...estarei revivendo sonhos antigos e dessa forma realizando-os... estarei conhecendo nuvens fofas, profundas e delirantes que representam tudo o que me é desconhecido, estarei chegando aonde o meu coração sempre quis chegar.
Descobri que dentro de mim, existe um pedaço de uma águia, que não se contenta nunca com o que é pouco, mesquinho, já vivido, que é ditado ou imposto. Descobri que a águia quer voar alto, e lá de cima admirar seus feitos. Descobri que a idéia da águia é a idéia de nascer, renascer, crescer e se recriar a cada dia. Tal idéia consiste do fato de se obter respeito, de se saber aonde se quer ir, de se caminhar de cabeça erguida, de se construir o ser feliz.
O que me assusta neste processo de voar, é que muito pouca gente se atreve a fazê-lo, por desconhecer o seu potencial de vôo, como eu desconhecia; por falta de sorte, por inveja ou por comodismo. E aí... pode ser que o meu vôo seja solitário. Mesmo assim, me atrevo a convidar que voe comigo; quem me ama de verdade, quem quer me ver subir, quem carrega dentro de si o senso de que pode voar, de que pode crescer e de que pode junto comigo descobrir novas coisas, coisas boas.
E ai fica a pergunta; quem me mostrou minhas asas? O amor. Não o amor romântico que pode um dia quebrar, como se quebra um pingente de cristal.... confesso que o amor romântico, me ajudou a pensar mais uma vez na existência de tais asas, mais foi o amor que tenho por mim mesma, o amor que quero partilhar que me fez entender pra quê eu existo e então, porque eu quero voar. Porque preciso partir.
Então... abro minhas asas... asas lindas, perfeitas e imperfeitas... asas minhas...e me preparo para o vôo.

postado por Verô às 8:52 PM

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Terça-feira, Abril 19, 2005

E ai você me pergunta o que foi que vi em você. Entre sorrisos, suspiros e capotagens do meu coração, me disponho a responder. Já sabendo de antemão, que tal resposta não poderá ser precisa, muito menos lógica... porque na verdade, não fui eu quem viu algo, mas, sim o meu coração.
Ele, o meu coração sentiu, pressentiu ou se apressou a sentir, que em você eu termino a minha jornada. Não a jornada da vida, das descobertas, das aventuras e porque não dizer desventuras também... não a jornada por mim mesma, pelo entendimento, pelo crescer, pelo prazer, saber, e tantas outras coisas. Não. Meu coração lhe acolheu, porque ele sentiu que em você a jornada de busca pelo amor, pelo alguém especial, pelo príncipe, por alguém que me complete...chegou ao fim.
E dizendo sem saber dizer, eu digo que com você cheguei a um lugar que há muito, eu procurava.
E falando sem saber ao certo as palavras que usar, vou falando que as muitas perguntas sem respostas que tumultuavam o meu coração, fizeram sentido... todo o sentido, e já não me importa se elas foram respondidas ou não... as vozes que as falavam, calaram-se.
E explicando o que é por si só inexplicável, minha voz se atreve e diz da luz que se acendeu dentro de mim, dos sorrisos que brotam espontaneamente, de um refluxo imenso dentro do meu estômago, como se borboletas gigantes andassem voando por lá, desde o dia em que te conheci; do carinho que nasceu, das esperanças que surgiram, da alegria que existe em saber que você abre um espaço no seu universo para mim, e do prazer que eu tenho em partilhar o meu mundinho com você.
E acabo por contar que há muito bom tempo... eu não me sentia assim. Se é que algum dia eu me senti.
E na verdade, eu percebo que a pergunta feita, talvez, fruto de incredulidade, medo ou desejo de se saber que também chegou a um bom lugar, não foi respondida...porque não há como respondê-la. O que há, é a vontade imensa de que todos estes bons sentimentos, este frio na barriga, o frisson das emoções; permaneça, se perpetue, enriqueça nossos dias, nossas noites, nossas madrugadas.
É como se toda este querer fosse um beijo, intenso, completo, doce, longo, sem pressa e muito gostoso, que há tempos esperávamos.
Celebremos então o fato de estarmos vivos, de nossas descobertas, de nossas coincidências, de nossas confidências, bagagens e esperas. Celebremos viver neste século, no momento presente e o termos nos encontrado. Celebremos ainda as flores que desde agora colhemos, e as que com certeza virão. E se... por um acaso, as flores não vierem, que as lembranças deste período de semear sejam incríveis.

postado por Verô às 9:06 PM

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Quarta-feira, Abril 13, 2005

Pode ser que ler, se torne uma chatice... mas é um risco... ainda em processo de catarse, mas agora, voltando a acidez...

Ele era um chato. Muito chato. Na verdade, tão chato, mas, tão chato que todos ao seu redor tinham plena certeza de que nem ele agüentava tanta chatice. Qual o nome dele? Qualquer um que você quiser, ou mesmo imaginar...Imagine que a mãe dele, ao vê-lo recém nascido, pensou com tristeza que nome daria áquela coisinha dona de uma cabeça chata, um nariz igualmente chato, olhos, pernas, mãos, lábios e principalmente, coração chato. Como ela era mãe, deve ter escolhido o que julgou melhor... por isso... você ai, escolha o melhor nome que lhe ocorrer para tal criatura chata.
Como eu disse a princípio, Chato, era um chato. Tudo para ele, em todo o tempo era transformado em chatice. Explico: para Chato, ninguém em tempo algum sabia de nada, ele era quem sabia de tudo. Para Chato, a verdade absoluta era detida por ele, então não havia conversa, ele sempre tinha a razão. Pra completar, Chato era pessimista, perfeccionista, moralista, ditador, pregador, professor e porque não dizer catequizador pra sua seita de chatice. Chato não sabia ver a vida com bons olhos, tudo para ele, em algum momento daria errado... na verdade, Chato tinha a mania chata de profetizar ou porque não dizer vaticinar, o fracasso alheio. Talvez, Chato tivesse mesmo, um baita olho gordo e não pudesse ver o sucesso do outro... daí então, num acesso de fúria sempre mascarado de amizade e gentileza, ele despejava todos os seus chatos desejos sobre a vida de alguém. Outro exemplo de que Chato levava uma vida muito chata, era porque tudo para Chato era uma obrigação. Ele se sentia na obrigação de apontar os defeitos de quem estava perto dele, ele tinha a obrigação de ser um bom membro da comunidade a que pertencia, ele tinha a obrigação de ouvir a vizinha em sua tagarelice, ele tinha a obrigação de... e de... e de.... De obrigação em obrigação Chato transformava a vida de quem estava perto dele num enorme sacrilégio... numa imensa chatice. Chato nunca, em tempo algum sabia compartilhar uma risada verdadeira, muito menos um segredo seu...adorava saber da vida alheia, controlar o que não lhe pertencia, mas, compartilhar o seu, de maneira alguma. Chato não sabia ofertar um elogio, aliás, isso era palavra desconhecida em seu vocabulário, ou atitude ignorada por ele, até porque de seu olhar sempre por cima dos outros, para o outro sempre havia algo para se aprender... uma pena mesmo... uma vida inteira desperdiçada, com tanta chatice.
E ai eu me perguntou: quem é que nunca teve a oportunidade, o privilégio, o prazer de conviver com um chato? Chato de qualquer espécie?
Apesar de tudo Chato tinha lá seus encantos... Chato era um sonhador, sonhava até demais... coisa assim, pra personagem de Lima Barreto nenhum, botar defeito, coisa de deixar Policarpo Quaresma doente de inveja. Mas... esse quê sonhador de Chato lhe dava charme. Fazia Chato parecer real. Chato também do alto de suas obrigações em ser uma boa pessoa, acabava sendo bom, o que levava com que fosse tolerado em algumas rodas. Chato também era verdadeiro, e embora verdadeiro demais, dono de poucos eufemismos e por conseqüente criador de mágoas profundas, era bom de se conviver, porque em momento algum, havia contradição em seu discurso. ( O discurso era sempre chato mesmo, porém verdadeiro...) Quando queria, ou lhe convinha Chato sabia agradar. Um presente aqui, uma piadinha ali, um afago acolá... Havia sempre que se esperar depois de tal graça, que Chato puxasse o tapete, sem dó, muito menos piedade, mas... no primeiro momento era uma delícia, ser fruto das boas atenções de Chato. Ou ainda, Chato fazia o afago, depois de ter batido...
As pessoas que conviviam de perto com Chato, sempre se sentiam oprimidas, erradas, donas de um fardo imenso, culpadas por algo que não cometeram... talvez a culpa estivesse em se estar com Chato. O problema era que Chato sempre era a vítima e nunca o culpado, o que fazia com que transferisse, e diga-se de passagem; de forma hábil, todos os seus defeitos para quem estivesse mais perto. O que era uma aporrinhação, chateação de décima grandeza.
Alguns poderiam dizer que Chato era apenas um falador de outro idioma, e por isso, não era compreendido... e quando digo isso, não me refiro a alguém falante de Javanês, digo alguém que possui uma linguagem própria e conseqüentemente escuta em sua própria linguagem...mas, acho que o problema do pobre Chato ia mais além. Sim, Chato era um pobre... pobre de amor próprio, pobre de visão de vida, pobre de objetivos e principalmente pobre de alegria. E penso mesmo que esse era o problema do pobre Chato... ser pobre. Aos poucos, e se convivendo com ele, aprendia-se ou a se ser uma vítima de sua chatice, ou ainda a ignorá-lo como se assim, pudesse ser possível parar de lançar pérolas aos porcos. Triste, mas, verdadeiro... e era ai que residia toda a pobreza, do pobre Chato. Ele só tinha perto de si, gente que se submetia, ou que o ignorava por completo. Chato não conhecia o amor.

Ainda em tempo; você é um chato? Cuidado!

postado por Verô às 11:49 PM

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Terça-feira, Abril 05, 2005

O texto a seguir, pode soar repetitivo e confuso, mas, faz parte de uma catarse... e na verdade, faz parte de mim...

Todas as guerras são insanas. Todas as batalhas por poder são ridículas.
Há alguns dias, estas frases vem martelando em minha mente. Conclusão a que cheguei depois de guerras, de batalhas íntimas que travo quase que diariamente. Minhas frases podem soar como pessimistas, eu sei... talvez fosse necessário explicar o porque da conclusão a que cheguei, mas fazê-lo é adentrar no que é doloroso em demasia.
A grande verdade é que sempre estamos em guerra. Guerras que se travam pela nossa vida, pela nossa existência, pela nossa sanidade, pela própria liberdade. E por mais que tais guerras sejam insanas... por mais que elas nos levem a energia, por mais que a nossa voz fique tão rouca de gritar, elas se fazem necessárias. O momento de loucura de uma guerra, pode ser o momento decisivo pra uma mudança acontecer, o que vem depois de uma guerra pode ser a reflexão e a paz de espírito necessárias pra se canalizar as energias e seguir em frente.
Existem diversos tipos de guerra, você sabe... existem as armadas, as que armamos, e aquelas em que nos armamos. Pura defesa. Existem guerras de nervos, de palavras, de silêncio, de histeria, de sonhos, de pura perda de respeito, de luta pelo respeito, de poder, de quem ganha o seu espaço ao sol e muitas outras... Todas elas, são insanas. Todas carregam em si o toque da crueldade, da opressão ao outro. Todas elas acontecem porque se busca um novo caminho, uma porta que se abra pra liberdade.
Dentro das guerras, sempre há uma batalha pelo poder. Sempre há um opressor, e claro, um oprimido. Quem quer o poder, quer pisar no sonho do outro; quer o controle do que não é seu, quer a liberdade que não lhe pertence, quer simplesmente ser senhor do que não pode jamais, por direito algum, possuir. Quem nega ao outro esse poder, e luta pelo que é seu, em nenhum momento deve fraquejar...cair, talvez, desistir do que é seu, nunca. Tais batalhas são ridículas, sem a mínima razão de ser, de acontecer ou de ter...mas essas batalhas tem a razão de nos descobrir, de dizer quem somos, o que viemos e o que buscamos.
Guerras ridículas, batalhas insanas... mas, são elas, infeliz ou felizmente que nos crescem, amadurecem e despertam dentro de nós o que há de mais sagrado: quem somos. A resposta a luta, é o que faz toda a diferença. Cansar da peleja é deixar o outro tomar o seu espaço, roubar o seu sonho, apagar o seu brilho, profetizar o seu fracasso. Meu corpo anda cansado de lutas, batalhas e guerras, meu coração porém, se agita no conflito; não posso desistir, não posso abrir mão de quem sou, das minhas crenças, dos meus sentimentos, de toda a construção do meu ser, dos meus mais lindos sonhos. Ridículas ou insanas, preciso ser brava, valente e continuar no meu caminho, até vencer.




postado por Verô às 12:15 AM

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Sábado, Abril 02, 2005

Mais uma vez.

...Seria banal dizer; mais uma vez. Lugar-comum, repetição...Mas, em se tratando de você, torna-se necessário repetir, e quantas vezes for necessário...

Mais uma vez, sonhei com você.
E no meu sonho, tudo era como eu sempre quis.
Pela décima vez, no dia, eu sonhei que você estava lá...
Só me esperando.
Pela centésima vez, eu sonhei que você queria se envolver, fazer parte,
Se importar.
Pela milionésima vez, eu sonhei que você se preocupava,
Só comigo.
Pela trilhonésima vez, eu sonhei que você me beijava,
Tão terno, tão doce, tão profundo, tão intenso, bem do seu jeito.

Mais uma vez, acordei feliz...
Mas...Era só um sonho. Meu sonho.
E de feliz, fiquei furiosa com este meu coração bobo que só sabe sonhar.
Sonhar com você,
Sonhar em te dizer, baixinho, só pra você escutar...
Mais uma vez...:
Te amo!



postado por Verô às 12:25 AM

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