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Terça-feira, Março 22, 2005

Já reparou como a gente passa pela vida se contentando com migalhas? É ... migalhas. Não quero que ninguém pense que surtei, mas, a verdade simples e crua é que a gente se contenta com migalhas.
Migalhas de afeto, de aceitação, de realização dos sonhos, de alegria, de amor, de dinheiro, da luz do sol, de todo o nosso potencial...e o que mais se possa imaginar... e, isso é muito triste. Mas, é real... quer ver?
Quantas vezes achamos que pra sermos aceitos precisamos usar determinado tipo de roupa, ou termos tal carro, ou ainda sermos adeptos de tal e tal ideologia... e ai usamos a roupa, compramos o carro, dizemos que acreditamos nisso ou aquilo pra que os outros possam nos aceitar... fazemos dividas, vivemos no vermelho, mas, queremos ser o que os outros esperam de nós... nos contentamos com migalhas de aceitação. Digo migalhas, porque se fossemos aceitos como somos seriamos aceitos plenamente e não aos pedaços, não em farelos, não em migalhas.
Mais exemplos? Saímos de casa cedo, nos aventuramos pelo trânsito caótico, aturamos o mal humor do chefe, e não temos nem meio minutinho pra contemplarmos a cor do céu, a luz do sol... e nem vou falar do salário...
Abrimos mão dos nossos sonhos, ás vezes sonhos bobos, simples...mas, alguém ridiculariza o que queremos ou ainda dita o que deve ser feito, e deixamos de lado.. permitimos que os outros digam como devemos viver, agir e pensar. Muitas vezes vivemos a sombra de alguém, quando poderíamos ser a imagem, o modelo, e não o rascunho. Migalhas. Quando falo de sonhos, não falo de nada mirabolante, digo daqueles comuns que todo o mundo tem... de encontrar paz, de ser aceito, de poder dizer o que pensa.
Ansiamos que certo alguém nos olhe, e investimos pesado no jogo da sedução, mas, no meio do processo, sabe se lá a razão, desistimos; não acreditamos no nosso potencial e nos contentamos, com quem não gostávamos a princípio, mas, que sempre esteve fácil, ali a nossa mão. Migalhas. Ou ainda insistimos em alguém que não sabe nem qual é a cor do branco do nosso olho, que promete mas, nunca tem tempo pra cumprir, que não respeita nossa fala, nossa dor, que nos empurra as tristezas, mas, nunca pode partilhar as alegrias. Vivemos relacionamentos no mínimo perdidos, mas, nos contentamos com eles, porque nos contentamos com o que sobra, com as migalhas.
Nos cercamos de pessoas que se dizem nossos amigos, compartilhamos nossas idéias com eles, os convidamos pra nossas festas, mas, na verdade esses tais amigos, não sabem de nada da nossa vida, não se preocupam conosco, nem têm tempo para uma conversa além do superficial. Desculpamos a nós mesmos, dizendo que somos assim, que não abrimos nossa intimidade. Balela... aceitamos migalhas... apenas isso.
E seguimos vida a fora nos contentando com o que nos oferecem, achando que é normal, que é o que merecemos. E pior, retribuímos com migalhas.
Poderíamos ser mais sinceros, amar com o coração entregue, falar o que pensamos, elogiarmos quando a ocasião é propicia, enxugarmos as lagrimas de alguém, viver nossas ideologias com toda a extensão de nossa convicção, mas, não...
E andamos rotos, esfarrapados, aos pedaços, em lastimáveis pedaços que não se encaixam... recebendo e ofertando migalhas.
Ando querendo vida plena, sabe... ando cansada de comer pelas beiras, de me sobrarem migalhas, de me ofertarem nada e eu ficar ali de mãos abertas esperando por mais, querendo mais, precisando, necessitando de mais... Decidi que só quero perto de mim, gente que me ame de verdade... e que se não houver ninguém que me ame de verdade, eu não tô nem aí, como reza aquela canção... quero me bastar e não mais me contentar com migalhas. Quero viver tudo o que posso, quero ser o que meu sonho pede, quero caminhar de cabeça erguida, quero andar na rua de calça roxa, camiseta amarela e tênis prateado ¿ se essa for a minha vontade ¿ sem me importar com o que vão pensar, dizer ou falar... quero ter vida plena, vida imensa, vida abundante.
Abaixo as migalhas!!!!!


postado por Verô às 10:55 PM

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Quarta-feira, Março 16, 2005

Tenho em minhas lembranças a imagem de uma senhora já idosa, com dificuldades pra andar, porém que não parava um minuto sequer. Minha avó. Vovó cozinhava maravilhosamente bem. Lembro-me de que já na adolescência, quando eu ia a sua casa, ela sempre me esperava com uma fornada de biscoitos. Era muito bom, sentar á mesa da cozinha da casa de vovó e comer os biscoitos fresquinhos, acompanhados por um copo de leite gelado. Os natais em sua casa, eram sempre cheios de fartura e de presentes muito legais. Vovó também era uma pessoa muito abnegada. Ajudava muito a quem precisava e quando jovem, ainda com os filhos pequenos fez muitos partos na vizinhança que morava. Vovó não era muito paciente, quando os netos se reuniam e começavam logo a brincar, fazer barulho e a brigar, vovó sempre dava uma bronca coletiva, e até uns puxões de orelha... procurávamos ao máximo, manter-nos quietos quando perto dela. Confesso que nessas horas eu tinha medo dela. Os tios, os pais e meu avô explicavam que vovó era impaciente assim, pelas dores que sentia em virtude de sua doença. Vovó gostava muito de assistir aos domingos, na TV, do início ao fim o programa do Sílvio Santos. A quem carinhosamente, ela chamava de Sílvio. Muitas vezes ela dormitava na frente da televisão, e aí de quem se atrevesse a mudar de canal. Sempre queríamos ver qualquer outra programação, menos o programa do Sílvio. Tenho uma foto que registra meu primeiro banho. Na verdade, acho que todo o mundo tem uma foto assim. E a minha foto registra que quem deu meu primeiro banho, foi vovó. Tenho ainda outras fotos em que ela figura, sempre séria. Talvez, muito dona do seu jeito europeu de ser.
Hoje a minha história com vovó, é outra. Ela veio morar em minha casa. Apesar de onde morava ter uma super-estrutura preparada especialmente pra ela, resolveu passar uns tempos conosco. Vovó é uma sombra pálida do que foi um dia. Tem muita dificuldade pra andar, muito medo de cair e precisa de ajuda pra tudo. Quando a levamos pra qualquer lugar, sempre precisamos de cadeira de rodas para locomovê-la. Quase não come, parece um passarinho. Mas... apesar de seu corpo estar envelhecido, sua cabeça está lúcida, muito lúcida. Tem plena consciência de tudo o que se passa a seu redor, de todas as conversas, de tudo. Sabe fazer seus apartes dentro do assunto e ainda dá seus conselhos. Com a idade, vovó ficou mais mansa. Já não é impaciente. Se alegra com crianças por perto. Algumas vezes, em algumas situações parece que a criança é ela. Hoje, quem dá banho em vovó sou eu. Hoje mesmo, um calor imenso, ela me pediu que desse banho nela. Toma banho sentada. Não tem condições de ficar em pé.
Outro dia, eu estava sozinha em casa com ela. Sem que eu ouvisse, ou me desse conta, levantou-se da cama e foi ao banheiro sozinha. Isso seria louvável e até motivo de aplausos, se não houvesse o risco da queda. Fui obrigada a reclamar e dar uma bronca nela. Disse a ela que eu entendia que deveria ser muito difícil, ter que esperar os outros e não fazer nada sozinha. Mas, que se ela caísse e se machucasse seria muito pior. Ainda mais por eu estar em casa, sozinha e sem carro. Falei que eu sabia que era feio uma neta passar um sabão na avó, mas, que eu me preocupava com ela e queria cuidar bem dela.
Fiquei pensando nos muitos velhinhos jogados por ai, que anseiam alguém que cuide deles. Eu sei, não é fácil. A tendência natural é não se ter paciência. Mas... nossos velhinhos fazem parte da nossa história. E na verdade, um dia estaremos todos lá, na velhice. Sei de velhinhos que não tem a mínima noção de nada do que acontece ao seu redor... que entram em estado completo de demência senil e vivem numa outra esfera, numa outra realidade. Mas... penso que pra qualquer que seja o caso, o remédio é o amor. ( lá vou eu de novo) O amor não vai trazer de volta a senhora elétrica, impaciente mas preocupada com as necessidades dos outros, boa cozinheira e etc e tal que minha memória guarda. Mas, o amor vai proporcionar a esta velhinha que agora mora comigo, dias mais leves, mais agradáveis de serem vividos. O amor de quem quer que seja, por maior que seja, infelizmente, não tem o poder de trazer células de novo a vida, nem resgatar neurônios. O amor também, não pode trazer memória, conhecimento e discernimento, pra quem já os perdeu pela idade. Porém, com toda a certeza o amor pode dar dignidade e um entardecer de vida, um pouquinho mais feliz. ¿..contudo se eu não amasse aos outros, nada disso teria valor algum.¿ Livro de I Coríntios 13:3

postado por Verô às 10:25 PM

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Segunda-feira, Março 14, 2005

Mudei de novo, de template... isto prova que sou uma pessoa em mutação. Eu prefiro ser esta metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo... já dizia a letra da canção...

Quero pedir desculpas também, pelo texto com s, pela companhia sem nh e pelo telifônica onde deveria ser telefônica do post anterior... tudo isso é explicado pela idade, sono e otras cositas más... mas... estou corrigindo em tempo.

Valeu!
postado por Verô às 5:05 PM

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Hoje estou indo de texto emprestado... mas, achei belíssimo... se eu tivesse pensado antes, talvez escrevesse algo assim. Alguém me perguntou se estou em crise. Talvez, na crise da desinspiração...eu sei... não existe tal palavra, mas, não custa criar. Tenho andado meio ansiosa e talvez isto afaste as idéias...mas, o testo a seguir vale a pena e no momento, fala por mim.

Você Sabia?
Você sabia que quando você inveja alguém, é porque você realmente gosta dessa pessoa?

Você sabia que aqueles que demonstram ser fortes no coração, são realmente fracos?

Você sabia que aqueles que gastam tempo protegendo os outros são aqueles que realmente precisam de alguém para protegê-los?

Você sabia que as três coisas mais difíceis de se dizer são: Eu te amo,desculpa e me ajude. As pessoas que dizem isso são aquelas que, na verdade, precisam delas ou realmente sentem elas, e são aquelas que você realmente precisa apreciar porque elas disseram aquelas palavras.

Você sabia que pessoas que se mantém ocupadas em manter a compania dos outros ou ajudando os outros são aquelas que na verdade precisam da sua companhia e ajuda?

Você sabia que aqueles que se vestem de preto são aqueles que não querem ser reparados e precisam da sua ajuda e compreensão?

Você sabia que quando você ajuda alguém, a ajuda é retornada em dobro?

Você sabia que aqueles que mais precisam de você são aqueles que não mencionam isso pra você?

Você sabia que é mais fácil falar o que você sente escrevendo isso do que falando isso na cara da pessoa? Mas você sabia que é mais valioso quando você fala isso na cara da pessoa?

Você sabia que o que é mais difícil pra você falar ou fazer é muito mais valioso do que qualquer coisa que você possa comprar com dinheiro?

Mas não acredite em tudo que eu te falei, até que você tente isso sozinho, se você conhece alguém que precisa de algo que eu te falei aqui, e você sabe que pode ajudar, você verá que isso será retornado em dobro.

"Um dia, nós pessoas tristes iremos mudar o mundo...ou nós já estamos mudando ele" A BOLA ESTÁ NAS SUAS MÃOS... Se o mundo fosse acabar em 24 horas, todas as linhas telifônicas, salas de bate -papo e e-mails ficariam sobrecarregados pelas pessoas mandando mensagens para outras, dizendo: "Eu sinto muito por ter feito você se sentir mal", "Me perdoe", "Eu te amo", "Cuide-se" e às vezes: "Eu sempre te amei, mas nunca te contei".

Autor Desconhecido



postado por Verô às 1:07 AM

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Quinta-feira, Março 10, 2005

Madrugada calorentíssima. O ventilador no teto, bem que fazia esforço, mas, não conseguia afastar o mormaço para longe. O corpo suado, cansado, rolava de um lado para o outro, o sono devia ter se escondido debaixo da cama, se lá estivesse mais fresquinho... ou quem sabe até ido dar um pulinho na piscina, na intenção de se refrescar. Pernilongos insistentes e pouco amigos teimavam em zunir, insistiam em picar. A sensação que se tinha, é que a noite seria longa... com direito a ser entediante, também.
Em algum lugar daquele corpo cansado, figuravam palavras que descreviam seus últimos dias. A última semana, sendo mais exata... as palavras dançavam, formando imagens, rememorando assim fatos... e junto com toda aquela conjuntura esquisita, não era muito fácil dormir.
A memória voltou no tombo. Baita tombo. Literalmente uma grande esborrachada no chão. Minto. Não foi no chão, foi num murinho, que ingenuamente estava no caminho e ela quis passar por cima. O movimento para a queda foi tão rápido, que ela nem teve tempo de saber o que realmente acontecia. Imaginou, enquanto via o mundo desabar, que quebraria as duas pernas... mas... bem a tempo o anjo da guarda se postou embaixo dela ( com toda a certeza) e as pernas não quebraram... mas, hematomas imensos, de cores medonhas e conseqüentemente; dolorosos, ainda estavam lá pra confirmar o ocorrido. Por que havia pensado em pular do morro, atravessando o murinho exatamente na hora em que chovia? Ela não sabia responder. Com a queda, ficou pensando em como pra se cair, basta apenas estar em pé... lógico e engraçado... e porque não dizer; profundo também... lembrou de quedas passadas, não literais... aquelas que só o coração sente. Aquelas que a gente leva quando confia demais, espera e sonha demais e acabam nos decepcionando. Pensou em tombos de outras pessoas... gente que se acha muito segura e sem mais nem menos; pluft... vai ao chão. Mais uma vez, não literalmente, mas, certamente, quedas que abalam.
Depois do tombo, os dias seguiram doloridos. Muito. Uma centena de coisas a serem feitas, uma perna que mancava e uma dor sem fim. Sendo bem sincera, física e moral.
Muitas dores... e aí ela fez anos... puxa! Isso poderia ser dispensado. A queda junto com o aniversário... ela se sentia como se estivesse rolando uma imensa e grande ladeira. A ladeira da vida. Talvez, porque na semana anterior ao aniversário, algumas pessoas tenham ligado e tenham perguntado o que ela gostaria de ganhar de presente. Opções. E ela ficou pensando que ficar mais velha é um negócio muito chato. Se ainda fosse uma criança, ganharia brinquedos e se esbaldaria, se fosse adolescente, uma roupa descolada ia cair legal... mas, o que mais impressionava, eram tantas pessoas a conhecerem e não saberem como presenteá-la... definitivamente, isso era falta de criatividade! Ainda se perguntou, se o problema não era ela mesmo. Tinha a lembrança feliz de que na infância tudo o que ganhava era sempre motivo pra festa... havia parado de festejar seus presentes? Podia ser. Ou apenas estava cercada de gente que queria realmente agradá-la? Não soube muito bem responder.
Na infância, adorava acordar no dia do aniversário. Era sempre acordada por um café da manhã, gostoso, farto e generoso que lhe era servido na cama. Como era bom. Agora, completando 30 anos, havia um cem número de atividades a realizar e café na cama, que é bom... não viu nem o cheiro. Que vida estranha! Ela pensou... Ser criança parecia mais divertido.
Mas com o transcorrer do dia, ela se sentiu feliz. E porque não dizer; aliviada. Ganhou presentes incríveis... todos sussurrados, é verdade, mas, não menos incríveis. Na hora do almoço comeu pizza e á noite fizeram uma festa pra ela. E a bem da verdade, ela se divertiu!
Depois do aniversário, o próximo evento interessante, foi o dia internacional da mulher. Em outros tempos, em outras eras, ela dissertaria sobre o assunto... na verdade, ela possuía uma tese profunda de que o mundo é das mulheres, mas, infelizmente nem todas entendem isto ou se atrevem realmente, a dominá-lo... mas... escrever sobre isso poderia ser extremamente boring... e ela achou melhor passar o dia...fazendo o quê mesmo? Ela nem lembrava mais....(risos)
Mas... ainda sobre o dia internacional da mulher, ela leu um texto muito legal sobre o assunto e se divertiu á beça. Afinal, o texto finalizava a tese dela, sem ser enfadonho... ( vamos a ele: Onze pessoas estavam penduradas em uma corda num helicóptero. Eram dez homens e uma mulher. Como a corda não era forte o suficiente para segurar a todos, decidiram que um deles teria que soltar a corda. Eles não conseguiam decidir quem, até, finalmente, a mulher disse que se soltaria da corda pois as mulheres estão acostumadas a largar tudo pelos seus filhos e marido, dando tudo aos homens e recebendo nada em troca e que os homens, como a criação primeira de Deus, mereceriam sobreviver, pois eram também mais fortes, mais sábios e capazes de grandes façanhas...Quando ela terminou de falar, todos os homens começaram a bater palmas... Moral da estória: Nunca subestime o poder e a inteligência de uma mulher.)
Bom... depois do dia internacional da mulher...ela recebeu um e-mail interessante, de alguém interessante, que ela conheceu nesse mundo maluco e incrível, que se chama Internet. Era quase impossível não pensar nas muitas linhas escritas no e-mail e imaginar o porquê da vida ser tão engraçada... mas... isso era conversa pra outra hora...e-mails, expectativas e esperanças, com certeza ocupariam muitas páginas... e também... sabe-se lá o motivo parecia que o calor já era mais suportável, e o sono, havia voltado do seu passeio... ela então resolveu deixar as palavrinhas de lado, as expectativas também, e simplesmente, nanar...zzzzzzzzzzzzzz.....

postado por Verô às 2:07 AM

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