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Terça-feira, Janeiro 25, 2005

Tenho um amigo que me disse certa vez, que somos fruto dos nossos medos. E eu fiquei me perguntando sobre o medo... este amigo-vilão que convive conosco, mas que ao mesmo tempo nos atrapalha a vida. Secretamente temos muitos medos, medos só nossos, medos imaginários, medos coletivos...diversos tipos de medo.
Medo da violência que nos deixa ilhados dentro de nossas próprias casas, bairros e cidades. Medo do assalto, do seqüestro, do tiroteio, da agressão gratuita, do que vemos e fingimos que não vemos. Presenciamos violência e nos fazemos mudos, cegos e surdos perante ela. Nos escondemos dentro de nosso medo. Tornamos célebre a frase; mais vale um covarde vivo, do que um corajoso morto. E pior, a adotamos como forma de vida. Sobrevida. Nos esquecemos que para estarmos vivos temos que nos aventurar... nos armarmos de coragem e lutar para que ninguém, muito menos o medo nos tome o espaço, a dignidade, o senso de vida.
Em outra esfera, existe o medo; da solidão, do amor, do fracasso, da rejeição, da saudade, do enfrentar as situações, do virar a mesa e o que virá depois... do não enxergar o que está além, do soltar-se do passado, enfim... Eu poderia passar horas enumerando e não chegar a conclusão nenhuma. Você sabe dos seus medos e eu sei dos meus. Mas penso, que faz-se necessário e urgente bani-los... não posso ser eternamente reflexo dos meus medos.
Eu tenho que ter medo sim, daquilo que eu não arrisco... daquilo que não ouso, e do meu esconder dentro de mim mesma... tenho que temer as minhas próprias ações em nome do medo... o abraço do qual fugi, o olhar que não me atrevi a aprofundar, o beijo que já se sentia o cheiro e que deixei passar... tenho que ter medo sim, do medo que me congela as pernas, me amarra os braços e não me deixa agir. Tenho que temer o meu não querer ser feliz.

postado por Verô às 1:28 PM

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Segunda-feira, Janeiro 24, 2005

Fiz várias mudanças por aqui...suei frio para faze-las... prometo em breve texto novo...por enquanto ainda ñ deu...bjs.
postado por Verô às 1:41 PM

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Terça-feira, Janeiro 18, 2005

Andei pensando em esperança. Já reparou como somos movidos a esperança? Sem ela, não existiríamos. Nossa existência seria mais fria e vazia, menos empolgante e aventureira, se não tivéssemos esperança.
Parece que sempre, e em todo o tempo estamos esperando algo. Quer ver? Esperamos que hoje o tempo fique lindo e firme no céu pra que possamos ir á praia Esperamos que no finalzinho da tarde aquele alguém especial, nos ligue e nos convide pra sair. Esperamos que a cotação do dólar suba porque nossas economias estão em dólar e precisamos trocar de carro. Ou então esperamos que não suba pra que o nosso pobre real possa valer um pouco mais. Esperamos que quem nos virou as costas, se arrependa, peça perdão e nos mostre seu mais belo sorriso. Esperamos ser aceitos, amados, compreendidos. Esperamos que o chefe reconheça nosso bom trabalho e se não puder oferecer um aumento de salário, pelo menos nos elogie. Esperamos que não hajam mais guerras, nem violência pelo mundo a fora. Esperamos sair e não ser assaltados. Esperamos viver um grande amor, ter filhos bonitos e saudáveis. Esperamos que as pessoas que encontremos em nosso caminho sejam em sua grande maioria amigas de verdade, honestas e sinceras. Esperamos poder logo comprar a casa dos sonhos, ou mesmo uma casa qualquer para não mais depender de aluguel. Esperamos que um beijo não signifique apenas um beijo. Esperamos que este mês, só por este mês o salário dure pelos trinta dias correntes. Esperamos que no último minuto, a vida se resolva e os sonhos tão longamente sonhados se realizem. Esperamos... esperamos... esperamos... Estamos sempre esperando. Repito, em todo o tempo estamos esperando. A esperança faz parte constante de nossa vida, e se por alguma razão ela parece ir embora, logo acontece algo novo e ela volta a colorir os nossos dias, acalentar nossas lágrimas e sacudir nossas expectativas.
Penso que a esperança é irmã da fé, penso também que se a fé não acompanhar de perto a esperança as tão esperadas e almejadas conquistas, acabam por não ter sentido. Fé na vida, fé nas pessoas, fé em nós mesmos. Acreditamos e esperamos. A esperança nos impulsiona e a fé nos adoça, dando certeza de que um dia a gente chega lá...



postado por Verô às 10:37 AM

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Terça-feira, Janeiro 11, 2005

Dia desses, me dei conta de que não tenho muitos amigos. Confesso, que na hora em que me apercebi deste fato, fiquei chateada. Me senti sozinha... me senti meio bicho estranho, incompreendida no meio do mundo, ilhada... Verdade seja dita, nunca fui muito popular... sempre fiz o gênero, sossegada e na minha, pra não dizer até que muitas vezes posso ser um tanto quanto anti-social...paciência. Mas, depois pensando nos amigos que tenho, comecei a ver que sou muito abençoada. Felizarda mesmo. Embora eu já tenha falado sobre amizade antes, quero repetir o assunto. Acho que ele não se esgota... porque amizade verdadeira é um assunto inesgotável...
Hoje num raio de 10 km, eu não tenho nenhum amigo. Pode parecer uma declaração um tanto quanto triste, mas, por mais engraçado que seja, sempre foi assim. Pelo menos, até onde alcança a minha memória. Não sei exatamente a razão, mas, sempre estudei em escolas longe da minha casa. E aí os meus amigos de escola geralmente, moravam distantes de mim. Quando encontrei uma amiga que morava num bairro próximo ao meu, foi uma verdadeira festa. Unimos nossa solidão, se posso assim dizer, e passamos a compartilhar as voltas da escola pra casa, com muitas gargalhadas, sorvetes e piadas, no trajeto dos dois ônibus que pegavámos. Isso, há 20 anos atrás... e sabe o que mais...embora moremos em cidades diferentes, ainda somos amigas até hoje.
Depois no ensino médio, fui estudar em um colégio interno. Admire-se quem acredita que colégio interno é reformatório, não é não. O colégio que estudei era misto e com direito a ter namorado, com uma série de regras e restrições, mas, que funcionavam. De lá eu tenho alguns bons amigos ainda hoje, espalhados pelo Brasil e pelo mundo. O período da faculdade não foi muito diferente... e cultivo amizades por aí...
Depois começar a trabalhar, conhecer outras pessoas, me relacionar com outras idades...mudanças por conta própria... e a distância, infelizmente, eu cultivo amizades. Repito: meus amigos não são muitos, mas, são especiais.
Ultimamente, arranjei um novo modo de cultivar amigos. Virtualmente. Há quem diga que internet, não é modo de vida. Pode ser... concordo em muitos aspectos, mas, conheci muita gente boa através dela. É claro, que há tipos que prefiro esquecer, mas há gente com a qual se importar, querer saber e cultivar. Tenho muitos bons amigos, que conheci virtualmente, e que hoje, fazem parte da minha vida real. Gente que se importa quando estou triste, amigos que riem comigo, que me aconselham e que me ensinam muitas coisas, em todo o tempo.
Posso não ter muitos amigos, mas os que tenho são incrivelmente, incríveis.
Escrevo todas estas coisas, por causa de uma amiga...nunca havíamos nos falado de viva-voz, mas ela leu meu último post e por se preocupar comigo, ligou pra mim, pra que eu pudesse falar um pouquinho do que me afligia. Tirou um tempo em sua tarde, e de Brasília, ligou para Itaboraí city... e ainda me deu bronca, pediu um texto novo, porque é viciada em ler...rsrsrsrsr....É assim que são os meus amigos. Gente que se preocupa comigo, gente que me ama, gente que quer me ver bem. Além dela, alguns outros amigos, oraram por mim, e me ajudaram nestes meus dias meio confusos, não posso me esquecer destes amigos, certo? Mas... eu confesso que este telefonema, da minha nova amiga, ajudou a acender uma chaminha de esperança. Eu sei... todos temos muita esperança...
Mas, sobre esperança, a gente escreve depois.
O que vale agora dizer é que sou mais feliz por causa dos meus amigos. Eles fazem toda a diferença.

Ps: Minha amiga virtual e agora quase real pode ser conhecida em: www.relicarioimenso.blig.com.br
postado por Verô às 11:54 AM

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Quarta-feira, Janeiro 05, 2005

Estou andando devagarzinho, slowmotion... câmera lenta, passos miúdos e nos braços pouco movimento...sem querer me apressar, sem querer me gastar, na verdade, mesmo, sem saber pra onde ir. Parece que um tsunami (palavra do momento) varreu o litoral da minha alma. Eu poderia falar da tragédia, ser empática com as vítimas, vibrar com os milagres, mas meu coração que anda lerdo, não consegue nada disso.
Eu sei... eu sei... tô careca de saber... é começo de ano e tudo, pela lógica da vida e de nós seres humanos, deveria estar recoberto de esperança... mas eu ainda não consegui. Perguntas flutuam em minha cabeça, questões se amontoam no meu questionário, dúvidas me congestionam e eu não consigo achar resposta pra nenhuma delas. Preciso tomar decisões, daquelas do tipo; se eu escolher isso terei de abrir mão de aquilo... ou; se for por este caminho, não posso jamais olhar para o outro que poderia ter sido... E fico querendo um milagre, uma luz que se acenda, uma seta que brilhe na escuridão, uma placa de néon... qualquer coisa que indique o que eu deva fazer.
Hoje, sou um grande umbigo... e infelizmente, não consigo enxergar nem meio palmo além de mim mesma. Alguém pode sugerir, como já sugeriram, que estou precisando de terapia...rsrsrsr...estou mesmo, estou consciente disso... mas, enquanto não acontece, sinto como se a vida se arrastasse e a mim, também.
Acabei de acordar, ainda estou meio zonza de sono... meu pai precisava sair e eu, sua motorista particular ¿ predileta, fui leva-lo. Sabe que dirigir com sono é uma beleza? Quando sai de casa, esperava ver o sol... mas nem a meteorologia me ajudou... lá fora chove fininho, cinza...deprimente. E eu disse pra mim mesma, caramba! Pra completar, meu gatinho derrubou a árvore de natal....rsrsrsrsr... saiu correndo atrás das bolinhas vermelhas que fazem barulho e rolam sem muito esforço. Não pude brigar, só pude rir... o que posso esperar de um bebê-gato de incompletos 4 meses? Talvez, no seu relógio de gato, ele saiba que as festas já passaram e que é hora de desfazer a árvore...ou seja mesmo pura coincidência.
O incidente com o gato, me fez pensar que eu preciso me divertir... empurrar a árvore, derrubar mesmo... e sair feliz, atrás das bolinhas vermelhas... só por um minuto, só por um momento... pulando, correndo e rindo...tentando ir além de mim mesma, vai a dica... empurre a árvore e brinque com as bolinhas... no mínimo teremos boas gargalhadas... e os problemas? Ficam pra depois.

postado por Verô às 6:17 AM

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