Verô - alguém aprendendo a escrever
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Aconteceu comigo por estes dias. De vez em quando acontece. Você deve ser vítima também. Um banco ligou me oferecendo um serviço e me presenteando (presente de grego) com um celular pós-pago, agradeci, disse que não estava interessada no serviço, insistência. Agradeci de novo, disse que não. Insistência. Agradeci de novo, agora já um tanto quanto estressada e mais uma vez uma nova insistência. Caramba! Será que ninguém mais sabe o que significa não? O argumento da atendente era no mínimo ridículo, ela me dizia: o que custa a você experimentar nossos serviços? Custa que eu não quero! Dá pra ser mais clara que isso e mais específico também? Acho que não.
Todo esse troço de dizer não é uma verdadeira saia justa. Você não quer ser grosso, mas o vendedor ou ofertante, sei lá como denominar não quer de forma alguma ceder. E fica-se horas, num cabo de guerra. Eu sei que quem vende, está tentando fazer o seu trabalho. Ganhando comissão por aquilo, mas é necessário ser tão grudento? Expliquei a atendente que eu estou desempregada e por isso, não tenho interesse em ter uma conta bancária e muito menos um celular pós-pago e ela lá entendia isso? Pra ela eu só estava dizendo, tente mais um pouco quem sabe você consegue. Até que ameacei vender o celular que ainda nem era meu. Ai, acho que uma luz se acendeu. E ela percebeu que eu não queria. Sem soar politicamente incorreta, mas quem faz este tipo de trabalho é surdo ou burro, ou ainda é treinado para ser os dois?
Este tipo de coisa de me deixa indignada! Proponho hoje uma campanha: Abaixo qualquer tipo de vendedor empurrando mercadoria! Quando um aparecer, grite NÃO! Não quero e ponto final.
postado por Verô às 10:57 AM
Hoje levei um susto. Imenso. Na verdade, seria simples se não se mostrasse complicado. Tenho o hábito de fazer agenda desde 1990. Assim que entrei no ensino médio, descobri que todas as minhas colegas faziam e passei a fazer também. Coisas de adolescente. Enfiávamos tudo naquela incomparável porta-segredos e sonhos. Eu tinha um professor que dizia que agenda era carteira de baiano, porque de tudo se encontrava lá dentro. ( sem preconceitos, por favor!) Papéis de picolé, fotos do artista predileto, fitas de presentes ganhos e assim por diante. Com o passar do tempo e a tal da maturidade chegando, as agendas diminuíram, mas continuaram a fazer parte da minha vida como diários. E ás vezes se o presente foi muitíssimo especial, ainda cabe nela um pedacinho da fita ou do papel de presente.
O que ficou deste tempo, foi o hábito de escrever o diário, de conversar com o papel, de colocar ali o que não coloquei nem para o meu travesseiro. O que ficou também de minhas agendas é uma caixa contendo todos os anos de minha vida (pelo menos de 90 para cá) guardo todas elas. Mas, como já disse; hoje levei um susto...
Nesses últimos dias tenho pensado em uma amiga. Há tempos nada sei sobre ela e pensei que se tivesse o endereço dela, quem sabe a companhia telefônica fosse gentil e me cedesse o número do telefone, se não for mais o mesmo. Abri então, a bendita caixa. Não, não é a caixa de Pandora é só uma caixa onde guardo o meu passado... nada muito complicado... está tudo escrito, basta ler. Abri a caixa e procurei a agenda de 98. Foi ai o susto; não existe agenda de 98.????????? A razão? Não sei. Desde o bendito ano, que inventei de escrever, minha família gentilmente todos os finais de ano me providencia uma nova agenda, para que o hábito perdure. Minha irmã, principalmente. Thanks, Si! Mas... não existe agenda em 98.
Verdade seja dita, 98 foi um ano absurdamente complexo, medonhamente triste e estranhamente solitário. Pelo menos pra mim. Uma nova realidade foi apresentada; um novo emprego, uma nova cidade, novas pessoas a conviver que eram tremendamente bairristas e não se abriam para quem vinha de fora. Sendo bem sincera, foi um ano que eu prefiro esquecer que existiu, mas daí a não ter a agenda dele... Caramba! Será que não o vivi mesmo? Ou será que o poder do meu pensamento foi tão grande que fiz o ano desaparecer?
Quem dera... levei um susto por que descobri que nada registrei de um ano tão terrível e me entristeci porque realmente esta amiga foi uma das poucas coisas boas que lembro daquele ano. Sorte minha, o endereço e o número dela, que eu precisava se encontram na agenda de 99... Posso então procura-la.
Talvez eu devesse terminar meu texto dizendo que conclui algo sobre o desaparecimento da agenda, ou sobre o susto que levei. Mas... não cheguei a conclusão nenhuma, porque eu não me lembro do que aconteceu. Não lembro se naquele ano não tive agenda, ou se quando me mudei no ano seguinte daquela cidade, joguei a agenda fora... gostaria de saber, mas, não sei.
O que percebo é que embora a bendita agenda tenha sumido... as lembranças estão em mim. E constatei que é impossível jogar fora o passado. Por mais que eu não queira uma lembrança, ela tem o poder de se manter lá... já faz parte da minha vida. Sustos a parte, percebi que o necessário a se fazer então é começar a colecionar coisas boas, para recordar delas no futuro.
postado por Verô às 9:55 AM